HÁ 20 ANOS
HÁ 20 ANOS

“COMUNIDADE NÃO ESTÁ A DEFENDER A LÍNGUA”

“A comunidade portuguesa não está a defender a língua”, afirmou ao JTM Maria Antónia Espadinha, directora do Departamento de Português da Universidade de Macau (UM). “Se nós não o fizermos, ninguém mais o faz”, acrescentou a catedrática. “Os portugueses riem dos anúncios mal traduzidos do tipo ‘lava cabelo, corta cabeça a 50 patacas’, mas esquecem que isso é uma prova de boa vontade [por parte da comunidade chinesa], mas também um reflexo do mau tratamento da língua”. O problema, salienta Maria Antónia Espadinha, é que, “se temos a veleidade de fazer um finca-pé pela nossa língua ou pela nossa cultura, até somos olhados de soslaio” por outros portugueses. Uma reacção que parece já estar inscrita no código genético luso: “Nós (e Macau tem essa herança nossa) sempre fomos muito simpáticos e permissivos para todos os estrangeiros”. Apesar disso, a directora do Departamento de Estudos Portugueses da UM salienta que “o governo de Macau está cheio de boas intenções – devemos estar muito gratos por isso e pelas coisas não terem piorado” na RAEM. Abertura semelhante parece começar a existir junto da comunidade chinesa. “Há muito mais boa vontade do que há 12 anos – se as pessoas sabem um pouco de português, fazem um esforço para utilizá-lo, apreciando as nossas tentativas para dizer alguma coisa em cantonês”, realça. “A comunicação entre as duas comunidades melhorou muito. Há menos pruridos: as pessoas falam mais abertamente”, conclui a académica. Certo é que Maria Antónia Espadinha não tem ilusões: segundo as suas estimativas, a comunidade de expressão portuguesa em Macau é inferior a 10%. (…) É sobre os serviços da RAEM que recaem as principais críticas de Maria Antónia Espadinha. “O português é muito maltratado”, acusa. “Há serviços onde estão pessoas licenciadas, altamente competentes, mas os textos não são corrigidos”, acusa.