CATÓLICOS E BISPO DE ‘CANDEIAS ÀS AVESSAS’
Um grupo de católicos portugueses com longas tradições familiares em Macau está descontente com a diminuição das missas dominicais em língua portuguesa, e não compreende a passividade do Bispo da Diocese, D. José Lai. A ‘gota de água’ que ‘esgotou’ a paciência dos católicos foi o fim da missa nas manhãs de domingo, na Igreja de São Lourenço, tanto mais que se verificou na altura da Páscoa, uma das datas mais importantes do calendário católico. “No Domingo de Ramos foi comunicado aos fiéis que já não haveria missa no Domingo de Páscoa, o que surpreendeu e revoltou toda a gente”, disse ao JTM um dos católicos responsável por um abaixo-assinado ao Bispo, que em cerca de uma semana, recolheu 120 assinaturas. Posteriormente, D. José Lai recebeu um dos responsáveis, apenas para lhe comunicar que mantinha a sua decisão, com a alegação de que em Macau havia escassez de sacerdotes que dominem a língua portuguesa. Este dado é do conhecimento geral e não se limita a Macau (em Portugal também diminuiu muito o número dos sacerdotes, uma vez que quase não tem havido renovação), mas os católicos descontentes contrapõem que neste caso “a questão não se coloca, porque um dos padres da Diocese já revelou a sua disponibilidade em ir rezar a missa de domingo em São Lourenço, desde que devidamente autorizado pelo Bispo”. É a “passividade” ou “desinteresse” de D. José Lai nesta situação concreta, “fácil de resolver”, que descontenta os católicos, temendo que haja um plano mais vasto para a acabar com as missas em português na RAEM. “Em São Lázaro já acabaram”, frisaram-nos, acentuando que, “depois do que aconteceu em São Lourenço, já só resta a celebração dominical da Santa Eucaristia em língua portuguesa na Sé Catedral e na Igreja de Santo António, aqui muito devido à persistência do Padre Lancelote Rodrigues”. O grupo de católicos dá como exemplo positivo o que se passa na Taipa, onde nas manhãs de domingo são sucessivamente rezadas missas em chinês e português.



