HÁ 20 ANOS
HÁ 20 ANOS

O criador da bandeira da futura Região Administrativa Especial de Macau, Xiao Hong, não conhecia o Território antes de ter feito o respectivo desenho, noticiou a agência noticiosa oficial chinesa. “Não fazia ideia nenhuma do que era Macau. O único material que tinha como referência era um guia turístico”, disse Xiao Hong. Xiao Hong, 38 anos, professor de arte na Universidade de Henan, centro da China, é delegado à Assembleia Nacional Popular chinesa, o “supremo órgão do poder de Estado”, cuja sessão anual decorre até 19 de Março em Pequim. O motivo central da bandeira que será içada em Macau após a transferência da administração do Território, é uma flor branca de lótus estilizada, sobre fundo verde, e com cinco estrelas amarelas. O desenho de Xiao Hong foi escolhido entre os mais de mil apresentados à Comissão de Redacção da Lei Básica da futura Região Administrativa Especial de Macau, em “concurso nacional”, referiu a agência noticiosa oficial chinesa. Quando a bandeira foi votada, em Março de 1993, o motivo concebido por Xiao Hong era consensual, mas até ao último momento houve divergências quanto à cor: vermelha ou verde? Por escrutínio secreto, foi o verde que venceu, com 26 pontos a favor e 19 contra.

 

GRUPO DE LIGAÇÃO EM REUNIÃO DIFÍCIL

Anunciado como uma reunião que dificilmente resolveria qualquer ponto controverso na agenda, o plenário do Grupo de Ligação Conjunto que está a decorrer em Pequim estará a confirmar a ideia de que alguns assuntos estão bloqueados devido à intransigência de ambas as partes. A insistência da parte portuguesa para que se avance em questões como nacionalidade ou estatuto das duas línguas oficiais, responde Pequim com a exigência de reservas financeiras, numa espécie de ping-pong sem grande saída. Segundo um telegrama da Lusa, a parte portuguesa vai hoje apresentar uma lista dos monumentos de Macau susceptíveis de serem classificados pela Unesco como património mundial, desconhecendo-se a receptividade que o assunto terá da parte chinesa, apesar da lista incluir monumentos portugueses e chineses. Segundo a fonte da agência, Portugal insistirá “na necessidade de regulamentar o uso do português” na futura RAEM, com a parte chinesa mais disposta a debater a questão da entrega de arquivos. Tudo indica que no final o resultado apurado acabará por ser, como muitas vezes tem sucedido, na aprovação de mais alguns acordos aéreos  e de participação de Macau em organizações internacionais.