HÁ 20 ANOS
HÁ 20 ANOS

É já na quarta-feira ao terminarem as últimas badaladas da meia-noite que 1997 passa à situação de reforma, passando a ser referido como “o ano passado”. Parte sem deixar saudades especiais, depois de ter sido acarinhado à chegada quase como um “salvador”. Tanto o Banco da China como outros especialistas da área da economia, profetizaram que seria “o ano da recuperação”, capaz de nos levar a uma taxa de crescimento entre os quatro e os cinco por cento. O que realmente não veio de todo a confirmar-se. Também no sector do turismo o então novo ano abria perspectivas optimistas, conhecidos que eram os números de 96, durante o qual mais de oito milhões de turistas nos tinham visitado. E de princípio, também por arrastamento do crescente número de visitantes em Hong Kong, atraídos pelo “slogan” de visitar a colónia antes que acabe, as coisas até iam bem. Em boa verdade esses factos vieram apenas juntar-se a outros igualmente importantes embora menos mediáticos. Nomeadamente ao retraimento consumista registado em HK, com grande parte da população a fazer economias tendo em vista o próximo “handover”. De seguida irromperia a crise cambial e bolsista em vários países da região, um processo que vai ainda transitar para 98 e que veio agravar ainda mais a situação do turismo local, não só pela perca do mercado de visitantes regionais, como pela diminuição de competitividade em relação a preços, devido à desvalorização da sua moeda. É injusto, porém, dizer que foi globalmente um ano para esquecer. Lugar na história teria sempre por ter, por ser o ano da transferência de soberania de Hong Kong, pondo fim às expectativas que ainda existiam sobre o que aconteceria depois. Seis meses depois é legítimo dizer que pouco se alterou, já que a crise económica que ali se regista nada teve a ver com a mudança de bandeira, mas sim com problemas regionais impossíveis de controlar, mesmo por uma economia forte como a de HK. Em Macau ficará também conhecido como o “ano do estádio”, embora não fossem poucas as obras com significado que se inauguraram no ano que agora chega ao fim. Um ano que viu também crescer muito o número de cidadãos recenseados eleitoralmente, principalmente devido às eleições autárquicas que terão sido as mais animadas de sempre. Com as crises “domésticas” e mais as que nos advém da vizinha próxima ou regional, a verdade é que 97 despede-se principalmente como um ano incaracterístico, mais de “vacas magras” que “vacas loucas”.