José Rocha Diniz

José Rocha Diniz

Faltam alguns dias para a reeleição do Chefe do Executivo.

Até agora, Chui Sai On tem sido confrontado com todas as reivindicações possíveis e imaginárias (um dirigente da Novo Macau concluía que a manifestação para aumento de salários nas operadoras do jogo era contra o Chefe), mas talvez seja demasiado primário pensar que a sociedade de Macau não deseja a sua eleição.

Se achasse que os últimos cinco anos foram maus e que era preciso um novo Chefe do Executivo, teriam surgido candidatos, mesmo que não para competirem, pelo menos, abrindo o debate sobre novas ideias, quiçá novas políticas. Na sua ausência, só se pode concluir que a sociedade quer mesmo a reeleição de Chui Sai On.

Então, porquê este desmedido tom de contestação?

Em várias ocasiões, o Governo tem-se posto a jeito. Ouve uns grupos e promete estudar o assunto – as pessoas saem contentes porque acham que lhes prometeu solução; horas depois ouve grupos que pretendem o contrário e promete-lhes estudar o assunto – as pessoas também saem contentes porque acham que lhes prometeu solução.

Aqui e ali, a propósito e a despropósito surgem uns assomos de autoritarismo que contrariam a sua prática e o seu “laisser faire, laisser passer” .

Este frenesim não acabará no Domingo, mas a realidade irá impor-se nos dias seguintes. Especialmente quando de Pequim vier a nomeação “pelo Governo Popular Central, com base nos resultados de eleições ou consultas realizadas localmente” (artº 47º da Lei Básica). Aí talvez se vá ouvir falar de coisas mais importantes.