Jorge Silva*
1. A descida das rendas e preço das casas em Macau é, sem dúvida, uma boa notícia que deve ser saudada. Depois de muitas críticas, o governo da RAEM resolveu tomar algumas medidas que, progressivamente, permitiram uma queda, ainda que não muito acentuada, no imobiliário que depressa se transformou, nos últimos quatro anos, na principal razão para a degradação da qualidade de vida do território.
O executivo pode e deve fazer muito mais no que se refere a um maior controlo sobre o preço do imobiliário, mas só o facto de se ter registado uma descida dá esperança de que seja possível a população recuperar algum poder de compra que se foi deteriorando de forma assustadora.
Para a etapa seguinte, cabe, igualmente, ao governo tomar decisões que permitam um maior controlo sobre a inflação.
Invariavelmente, os Serviços de Estatística e Censos, revelam números actualizados relacionados com a inflação, chamando a atenção para as diversas secções e a sua influência no custo de vida local.
As rendas de casas estão sempre em primeiro lugar ou uma das razões principais para o nível de inflação registado, além da refeições adquiridas fora de casa…
É caso para sugerir aos Serviços de Estatística e Censos para passarem a incluir uma nova secção – o supermercado, cujos preços também dispararam…
Como diria o outro, isto está tudo ligado e se o governo fizer o trabalho de casa, então, a situação pode mudar e a população recuperar os rendimentos que fizeram desta terra um certo paraíso num mundo em crise.
2. Revistas de grande prestígio ou instituições ligadas à indústria hoteleira, colocam os hotéis-casino de Macau entre os melhores de mundo e com toda a razão. Os hotéis, nascidos da liberalização do jogo, são, quase todos, de elevada qualidade, nada ficando a dever a unidades de luxo de Hong Kong, Continente e por esse mundo fora.
Só de pensar que grande parte desse hotéis está situada em zona que era um pântano, ficamos com a ideia exacta da dramática transformação de que o território foi alvo.
Se o resultado final é da inteira responsabilidade das operadoras de jogo no que concerne ao projecto e sua concretização, é justo realçar que a decisão de liberalizar o jogo foi do primeiro governo nascido da Região Administrativa Especial de Macau.
Uma sábia decisão do então, também primeiro, Chefe do Executivo Edmund Ho.
* Jornalista





