Adrião Ferreira da Cunha*

Adrião Ferreira da Cunha*

A partir do Século XX a Estatística começou a ser aplicada nas grandes organizações, quando os japoneses começaram a falar em Qualidade Total, surgindo a Estatística Moderna, considerada uma disciplina. A partir daí evoluiu de forma significativa, passando a ser utilizada nos diferentes sectores da Sociedade como forma de obtenção de informações a partir da recolha de dados com base em métodos de amostragem complexos.

Os avanços da Tecnologia da Informação, envolvendo todas as actividades e soluções com recursos de computação (hardware e software), a partir da 2ª metade do Século XX e actualmente, tendo como consequências o aumento significativo da capacidade de produzir, armazenar e transmitir informações, associados ao crescimento acentuado da procura de informações num mundo globalizado, vêm exigindo da Estatística avanços paralelos no desenvolvimento de metodologias e novos indicadores cada vez mais complexos, que exigem equipamentos e programas informáticos estatísticos.

A utilidade da Estatística expressa-se no seu uso, uma vez que grande parte das hipóteses científicas, independentemente da área, precisa de passar por um estudo estatístico para ser aceite ou rejeitada, como é o caso do teste de novos medicamentos, entre outros. Na área médica, por exemplo, nenhum medicamento pode ser disponibilizado para o mercado se não tiver a sua eficácia estatisticamente comprovada.

A Estatística pode considerar-se uma ciência quando, baseando-se nas suas teorias, estuda grandes massas de dados, independentemente da natureza, sendo autónoma e universal. É considerada um método quando serve de instrumento particular a uma determinada ciência [como agronomia, biologia, medicina, psicologia, etc.].

Os cidadãos pensam que a Estatística se resume a apresentar tabelas e gráficos em jornais ou, ainda, associam-na à previsão de resultados eleitorais. Porém, a Estatística Moderna não é responsável apenas pela criação de tabelas e gráficos, mas trabalha também com metodologias científicas muito mais complexas.

A Estatística tem sido utilizada na investigação científica nas mais variadas áreas do conhecimento, visando optimizar recursos económicos e de processos de produção, bem como o aumento da qualidade e produtividade nas questões judiciais, na medicina, e em muitos outros contextos. Trata-se de uma ciência multidisciplinar, empregada nos vários ramos do conhecimento: agronomia, biologia, direito, economia, engenharia, farmácia, física, geologia, hidrologia, matemática, medicina, nutrição, odontologia, psicologia, química e sociologia.

Praticamente todas as informações divulgadas pelos órgãos de comunicação social provêm de alguma forma de inquéritos e estudos estatísticos. O crescimento populacional, as taxas de inflação, de emprego e desemprego, são alguns exemplos divulgados pelos órgãos de comunicação social.

Neste sentido o conhecimento estatístico é um recurso nacional, não surpreendendo que sobre as invenções modernas o controlo estatístico de qualidade seja uma das grandes invenções tecnológicas do Século XX.

Na indústria o Controlo Estatístico de Processos é uma ferramenta que utiliza a Estatística para fornecer informações para um diagnóstico mais eficaz na prevenção e detecção de falhas/defeitos, identificando as causas, o que auxilia melhorar os resultados da empresa, evitando desperdícios de matérias-primas e produtos.

No mercado financeiro e instituições bancárias, os métodos estatísticos são empregados para modelagem financeira e económica, visando o comportamento do crédito, a movimentação de acções e previsões de taxas de juros, possibilitando estabelecer estratégias para conceder empréstimos que maximizem os lucros.

Em empresas de sondagens de mercado e opinião a Estatística é fundamental na realização de estudos científicos sobre comportamento e perfil dos consumidores, segundo o género, a classe social ou a idade, com o fim de identificar as necessidades de produtos e serviços gerados para um determinado segmento da população.

Na Administração Pública os métodos estatísticos podem ser empregados no planeamento e controlo da prestação de serviços, visando implantar técnicas administrativas eficientes que garantam menores custos e maior eficiência, na estimação de receitas e, principalmente, conhecimento dos seus utentes.

Nas indústrias farmacêutica, química, siderúrgica, têxtil, alimentícia e de bens manufacturados, os métodos e técnicas estatísticas são utilizados desde a fase de definição dos produtos até a produção final, através de sondagens de mercado, controlo de qualidade, custos e previsão de vendas.

Na medicina, os métodos estatísticos de planeamento de experiências são empregados em análises de medicamentos e em ensaios clínicos, permitindo testar hipóteses que possibilitem decidir sobre a eficácia de um novo medicamento no combate a determinada doença.

Na área jurídica a Estatística é utilizada pelas partes do tribunal com o intuito de fornecer evidência sobre a ocorrência de determinado evento. Nesse sentido, pode fornecer a probabilidade de um réu ser considerado culpado ou inocente, baseando-se na recolha de informações sobre o local onde ocorreu o crime.

Nas companhias de seguros, os métodos estatísticos são empregados para estabelecer avaliação de riscos, a partir do cálculo de estatísticas securitárias, permitindo a criação de diferentes modalidades de seguro, mais sofisticadas, complexas e economicamente viáveis, de forma que a empresa tenha solidez no mercado.

Na economia, a Estatística, a partir de um modelo teórico-económico estabelecido, tem a finalidade de investigar, com base em dados empíricos, a capacidade de explicação das equações económicas ajustadas, avaliando a significância dos parâmetros de cada regressão, os testes de hipóteses globais, os testes dos coeficientes individuais de regressão, bem como o coeficiente de determinação do modelo.

Em qualquer país, a Estatística é ferramenta fundamental para traçar planos sociais e económicos e projectar metas para o futuro. Técnicas estatísticas avançadas permitem estimar com um bom grau de precisão variáveis como tamanho da população, taxa de desemprego, índices de inflação, evasão escolar, procura de determinados bens e serviços, assim como formular planos para atingir as metas programadas de avanço no bem-estar social.

 

* Estaticista Oficial Aposentado, Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal