Nelson Kot*
Nelson Kot*

Desde o ano passado, o número de visitantes em Macau tem aumentado. De acordo com dados da Direcção dos Serviços de Turismo, o volume de turistas que chegaram a Macau nos primeiros dois meses deste ano atingiu quase os quatro milhões, o que representa um regresso ao nível pré-pandemia. A situação é encorajadora.

Além disso, a taxa de desemprego local caiu para um nível relativamente baixo e as receitas do jogo têm aumentado de forma constante devido ao regresso dos turistas, o que, apesar de não corresponder exactamente ao cenário verificado nos momentos altos da indústria do jogo desde a transferência de soberania, não deixa de ser um resultado encorajador.

O sector do jogo, como pilar importante da economia de Macau, está também a vibrar com a forte recuperação do sector de turismo. E as indústrias relacionadas, como o sector hoteleiro, a indústria de lembranças, os bens de consumo de classe média e elevada, os restaurantes de classe alta situados junto aos hotéis com casinos e as saunas estão também a atrair muitos clientes, o que dá às pessoas uma sensação de que “a primavera está a chegar e a sociedade está cheia de vitalidade”.

No entanto, as micro, pequenas e médias empresas (PME), que ocupam principalmente a economia local, uma vez que representam mais de 90% do mercado local, não recuperaram tanto como as operadoras de jogo, encontrando-se ainda numa situação de luta pela sobrevivência, o que não é nada bom.

As PME aguardam, com grande expectativa, a ajuda do Governo para resolver esse problema. A nossa associação recebeu informações de muitas lojas localizadas nas zonas habitacionais de que o regresso dos turistas não lhes trouxe “benefícios” e que a situação se encontra ainda pior do que o período da pandemia, com custos operacionais mais elevados, rendas mais altas, dificuldades em contratar trabalhadores e uma diminuição do número de clientes, o que estrangulou a sua capacidade de operação e que, a longo prazo, obrigará as empresas a fechar portas permanentemente e despedir o seu pessoal.

Compreendo que as condições operacionais das PME têm vindo a deteriorar-se nos últimos anos e, embora o Governo as encoraje a melhorar as suas capacidades empresariais, como por exemplo, reforçar a publicidade nos meios de comunicação social electrónicos e fazer mais negócios de “takeaway” para aumentar o volume e a cobertura de negócios.

Porém, desde a implementação das medidas da “Circulação de veículos de Macau em Guangdong” e da “Deslocação de veículos da RAEM à RAEHK” e o levantamento das medidas de prevenção epidémica causaram mudanças significativas no estilo de vida dos residentes. Em todos os fins-de-semana, um grande número de residentes desloca-se a Zhuhai e às cidades vizinhas para gastar dinheiro, ir aos supermercados de grande dimensão para fazer compras, fazer unhas, receber massagem, provar a gastronomia e abastecer o veículo, o que já é um facto indiscutível.

O impacto não só afecta as lojas nas zonas habitacionais, mas também os negócios dos grandes supermercados, bombas de gasolina, salões de beleza, restaurantes e estabelecimentos de comida nessas zonas. A situação aconteceu pela primeira vez ao longo dos últimos anos.

É bom ver o facto de o Governo acelerar a implementação das várias políticas benéficas da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, para promover o desenvolvimento das empresas e residentes de Macau em Hengqin. Mas não pode ser ignorada a situação de subsistência difícil nas zonas habitacionais, e ninguém quer ver mais PME a fecharem portas devido às dificuldades operacionais.

Por isso, espero que o Governo, ao mesmo tempo de acelerar o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada, lance também medidas de apoio económico, de modo a aliviar as dificuldades das empresas locais e dos residentes e criar melhores condições para que todas as indústrias possam prosperar e recuperar a sua vitalidade.

 

*Presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau