1. As Eleições portuguesas do próximo domingo encerram uma dúvida, a menos que haja milagres e reviravoltas de todo inesperadas. É saber se o Partido Socialista tem maioria absoluta ou se continua a governar no âmbito da Geringonça.
Casos recentes, como a encenação do achamento das armas de Tancos, parece que deram uma nova vida ao PSD e Rui Rio que estão a cavalgar a questão até à exaustão na esperança de que o eleitorado os ouça e mude de ideias sobre o PS. As sondagens mais recentes indicam, de facto, um recuo residual na vantagem socialista sobre os sociais-democratas que ganharam novo fôlego de uma, até aí, campanha eleitoral sem ritmo e agressividade.
A governação do PS+Geringonça teve aspectos muito positivos na vida dos portugueses que não se esquecem dos tempos de chumbo e super-austeridade da coligação de Direita PSD-CDS. António Costa, como Primeiro-Ministro, devolveu a esperança a uma população exaurida pelas medidas do governo anterior que, todos os dias, criava um novo imposto ou tirava rendimentos ao povo…
Isto é, Costa chega ao poder sem ter ganho as Eleições, monta a Geringonça, afasta da governação PSD e CDS e tem os partidos políticos todos no bolso. Como demonstrou durante a gestão governativa, António Costa não quis o poder pelo poder porque entendeu que era possível mudar as perspectivas económicas de Portugal, fruto das políticas equivocadas da Coligação de Direita.
Devolveu rendimentos, foi tirando, devagarinho, o pé da austeridade ao mesmo tempo que cumpria as metas europeias. A coisa correu tão bem que Bruxelas, da Direita à Esquerda, apontou o dedo a Lisboa, sublinhando que ali estava um grande exemplo!
Mas a governação não ficou isenta de erros, alguns de palmatória- a tragédia de Pedrógão Grande e os medonhos incêndios veio provar que o Estado português ainda não tinha capacidade de resposta em situações de fogo intenso e as relações familiares perigosas estabelecidas dentro do Executivo.
Isto, para além de Tancos, obviamente, mas aqui a cena é mais militar, guerrinhas entre Polícias para ver quem recebe os louros sobre o assalto ao paiol.
Julgo que o PS vencerá as Eleições de domingo de forma folgada, apesar de tudo.
2. Portugal perdeu um emérito Professor de Direito, um político de primeira água e sentido de Estado. Diogo Freitas do Amaral foi uma das personalidades de maior relevo na democracia portuguesa, um Estadista que não teve medo de formar um partido de Direita, democrata-cristão, nos tempos de brasa pós-25 de Abril, defendendo os seus ideias quando era moda ser-se de Esquerda.
Essa coragem levou-o a ser candidato derrotado à Presidência da República e, mais tarde, virar à Esquerda para ancorar no Partido Socialista ou navegar nas mesmas águas. Foi um conservador-progressista à sua maneira, dando sempre a cara e o corpo às balas.
De educação extrema, Freitas do Amaral foi um dos grandes vultos de Portugal e da Democracia portuguesa.
* Jornalista



