Estamos numa época de graduação para alunos universitários e as diversas instituições de ensino superior de Macau vêem entrar no mercado de trabalho um grande número de graduados locais. Neste ano, graduaram-se pela Universidade de Macau, Universidade Politécnica de Macau, Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e Universidade da Cidade de Macau, pelo menos 4.000 alunos locais de licenciatura.

De acordo com dados de emprego, cerca de 80% dos graduados entraram no mercado de trabalho, enquanto os restantes optaram por prosseguir os estudos. Com base nos dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, a taxa de desemprego dos residentes fixou-se em 2,3%, entre Fevereiro e Abril deste ano, sendo que os jovens à procura do primeiro emprego representavam cerca de 9,5% da população desempregada, o que reflecte uma evidente contradição entre o aumento súbito da oferta de mão-de-obra na época de graduação e a capacidade insuficiente de absorção do mercado de trabalho.

Actualmente, o mercado de trabalho de Macau apresenta dois grandes problemas, nomeadamente a distribuição desigual das vagas em diferentes sectores e a falta de transparência das informações. Na plataforma “Conta Única”, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) regista, em tempo real, 6.619 vagas disponíveis em empresas locais, mas as vagas para funções de nível básico adequadas para recém-graduados são limitadas.

Ao nível sectorial, há 2.708 vagas para pessoal de operações hoteleiras, 670 vagas para serviços de restauração e culinária, 197 para pessoal administrativo e 42 para cargos de gestão administrativa.

Em contraste, são escassas as vagas em áreas como Direito, educação e comunicação social, para graduados em humanidades, o que obriga muitos graduados das áreas de letras, negócios e ciências a procurar emprego fora das suas áreas de formação.

Para aliviar a pressão de emprego dos jovens, é crucial o Governo e o sector comercial estabelecerem uma cooperação estreita e regular, desobstruírem os canais de divulgação de informações sobre vagas de emprego e fiscalizarem rigorosamente o fenómeno de contratações falsas.

Embora a DSAL organize periodicamente sessões de emparelhamento de emprego para jovens, com oferta de até mil vagas por sessão, a actualização de informações é atrasada e a cobertura é limitada, sendo que muitas vagas em pequenas e médias empresas (PME) não são divulgadas ao público, o que dificulta o acesso dos candidatos a informações completas.

Espero que o Governo reforce a coordenação interdepartamental e crie um mecanismo uniformizado de divulgação de vagas de emprego. Por exemplo, deve expandir as funções da página sobre o emprego na “Conta Única”, obrigando as empresas locais a registar todas as vagas para postos de trabalho iniciais e estágios, com actualização em tempo real dos dados sobre diferentes sectores.

Ou pode, em articulação com as associações comerciais e associações ligadas às PME, elaborar listas mensais de recrutamento em diferentes sectores, divulgando-as através das instituições de ensino superior, centros comunitários e plataformas de redes sociais. Para além disso, deve realizar regularmente feiras específicas de emprego conjugado com os sectores de actividade, promovendo acções de emparelhamento separadas para as áreas de letras e negócios, ciências e artes, melhorando assim a eficiência do emparelhamento.

Paralelamente, o Governo pode, por iniciativa própria e em conjunto com as empresas, criar mais vagas de estágio para jovens, proporcionando oportunidades de contratação a recém-graduados, e incentivar os sectores do turismo, comércio a retalho e finanças a alargarem a oferta de vagas para postos de trabalho iniciais, de modo a equilibrar a distribuição de vagas em diferentes sectores. Através da divulgação transparente e abrangente de informações sobre vagas de emprego, pode reduzir a assimetria de informação e baixar o custo da procura de emprego para os jovens. Por outro lado, os próprios jovens devem também ser flexíveis e abertos a novas experiências em diferentes postos de trabalho.

Só com os esforços conjuntos do Governo e das empresas é que será possível criar um ambiente de emprego inclusivo, diversificado e desobstruído para jovens, permitindo aos graduados encontrarem no mercado de trabalho de Macau espaço adequado para o seu desenvolvimento profissional.

 

*Presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau