Júlia Serra*
Júlia Serra*

No dia 24 de Junho, em Portugal, é a Festa de S. João, no Porto, e nunca pensei que este Santo fosse um dos Padroeiros de Macau. Graças à obra de Manuel V. Basílio intitulada A Maior Derrota dos Holandeses no Oriente fiquei a conhecer melhor a história de Macau e a devoção da gente lusa.

É um livro muito bem organizado, concebido para os festejos dos quatrocentos anos passados sobre a vitória dos corajosos antepassados que derrotaram os holandeses, no dia 24 de Junho de 1622, quando estes tentaram apoderar-se da Cidade de Macau.

Como Macau tinha uma situação favorável para a criação de um entreposto comercial, no Oriente, era um território também cobiçado por outros povos, sobretudo, pelos holandeses e ingleses. As perturbações da História Portuguesa – incluindo o domínio filipino – enfraqueceram a preponderância lusa e os holandeses aproveitaram e registaram as primeiras ameaças de tomar a Cidade em 1603 e 1604.

Segundo Manuel Basílio: Foi então que os jesuítas sentiram necessidade de proteger as suas propriedades à volta do Colégio, bem como a nova igreja de S. Paulo, que tinha sido inaugurada na noite de 24 de Dezembro de 1603 (p.17). No entanto, a cobiça dos holandeses não esmoreceu e, no dia 24 de Junho de 1622, com um exército numeroso, eles atacaram, mas cedo retrocederam, por não conseguirem impor-se à valentia das tropas atacadas.

As tropas portuguesas ajudadas pelos moradores, filhos da terra e escravos negros, sendo em número muito reduzido, atribuíram esta vitória à ajuda divina, considerando-a um prodígio. Como a data 24 de Junho coincidia com a festa de S. João Baptista, o milagre foi atribuído a este Santo, passando a ser considerado o Padroeiro da Cidade e o dia 24 de Junho a ser o Dia da Vitória, mais tarde, designado o Dia da Cidade, segundo os registos de M. Basílio.

Após a fixação desta importante data na História, toda a obra se desenvolve na explicação das comemorações realizadas ao longo dos tempos, dos locais escolhidos para as celebrações e dos programas dos festejos, tendo sempre em consideração a realidade histórica de Portugal e os meios financeiros disponíveis.

As flutuações políticas eram igualmente avaliadas, bem como as conjunturas sociais e religiosas, mas o fervor do povo macaense nunca esqueceu a ajuda do seu Santo Padroeiro e, num misto de profano e religioso, preparavam e exigiam a festa.

Com o tempo, os festejos foram adaptados às circunstâncias, mas o dia 24 de Junho continua a ser recordado pelo Monumento da Vitória e, também, na toponímia local, pela Avenida 24 de Junho e, ainda, pela Praceta 24 de Junho, em Macau, nome atribuído em 2008 pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM)-p.123

Esta obra, publicada em Macau, em Fevereiro de 2022, é dedicada À Memória De todos aqueles portugueses, moradores, filhos da terra e “moços” que, Há QUATROCENTOS ANOS, valentemente defenderam a Cidade de Macau contra a invasão dos holandeses, tendo, naquele memorável dia 24 de Junho de 1622, infligido aos holandeses a maior derrota que sofreram no Oriente.

Felizmente que alguém teve a cortesia de me fazer chegar um pouco do Oriente a este Ocidente, favorecendo-me um conhecimento mais aprofundado da História que nos une!

 

Nota: Apesar de escrever segundo o Novo Acordo Ortográfico, sempre que os meses constavam da obra em referência, respeitei a escrita do autor Manuel V. Basílio.

 

*Docente. A autora escreve sob o novo Acordo Ortográfico