António Cardinal*
No distante ano de 1894, em Ottawa (Canadá), nascia David Frederick Wingfield Verner que viria a tornar-se profissional de Ilusionismo, depois de, aos 19 anos de idade, se ter transferido para Nova Iorque onde iniciou carreira no mundo do espectáculo, como apresentador e “entretainer”.
Ao que se escreveu à época, Dai Vernon, que viria a falecer em 1992 com 98 anos de idade, o nome artístico foi uma opção “coagida” após um jornal nova-iorquino o ter “baptizado” de Dai, uma espécie de diminutivo de David, ao qual acrescentou Vernon. Isto por alternativa a Verner, que pronunciado em conjunto, segundo o entendimento dele, resultava num combinado mais acessível ao ouvido e à memorização.
Dai Vernon passou de ilusionista a “professor” depois de iludir Houdini
Não tendo sido um Ilusionista preferido comercialmente, tal como outros, alguns até de forma indiscriminada e/ou injustificada, Dai Vernon foi, face ao seu reconhecido elevado nível técnico e artístico, uma figura modesta na panóplia dos cartazes/anúncio ou néones de Las Vegas.
Inquestionável no contributo dado ao desenvolvimento da Arte do Ilusionismo, com evidência na área do close-up, levou a que os seus pares o classificassem como “mágico de elite” acrescentando-lhe a denominação de “professor”. Refira-se que o “professor” Dai Vernon deu aulas a vários Ilusionistas, além de ter contribuído na preparação das rotinas, que se tornaram figuras destacadas e reclamadas a “peso de ouro” pelos palcos de Las Vegas e outras partes do Mundo.
Falamos, por exemplo, de Doug Hening (1947-2000), canadiano nascido em Winnipeg, que anualmente, entre 1975 a 1979, apresentou o “Doug Henning’s World of Magic”, tido à época como o melhor espectáculo de magia. Logo a seguir, aquando da sua deslocação ao Japão, o espectáculo ao vivo de Henning viria a ser considerado pela crítica nipónica “o maior show” da história da magia apresentado naquele país.
Há, todavia, outros nomes como Ricky Jay/Richard Jay Potash a completar 70 anos de idade, Larry Jennings (1933-1997), Ray Grismer (1927-2010) também músico profissional, ou David Roth actualmente com 66 anos de idade, além de tantos e tantos outros que passaram pelo “professor” no Magic Castle, onde Dai Vernon passou a “mágico residente, a partir de 1963.
Antes, no período 1961/1962, Vernon tinha sido professor na Escola de Magia Louis Tanen, apoiada pela Tannen’s Magic Shop, fundada em 1925.
Mas, o que mais se destacou na carreira e longa vida do canadiano Dai Vernon, conhecido também por “o maior da micro-magia”, consta do top 10 no grupo “Estrelas da Cartomagia”, foi sem dúvida a resposta que deu ao desafio lançado pelo famoso Harry Houdini que ficaria na História do Ilusionismo moderno.
Houdini, ele também um “transferido”, saiu de Budapeste para os Estados Unidos. De feitio audaz, por vezes atrevido, com alguma fanfarronice à mistura, passeava fama e êxitos, na área do escapismo. Houdini usufruía de um estatuto, como mágico que não perdia uma oportunidade para provocar e, publicamente, desafiar a concorrência. Neste contexto, em 1919, Houdini desafiou mais uma vez a concorrência. Afirmou ser capaz de decifrar e resolver qualquer efeito/truque. Bastaria que o efeito/truque fosse exibido três vezes, no máximo. Irreverente, Dai Vernon aceita e exibe “A Carta Ambiciosa”, um efeito que “teletransporta” até ao cimo do baralho a carta seleccionada e assinada pelo espectador, antes introduzida no meio desse baralho. Oito vezes depois de exibida a “Carta Ambiciosa”, Houdini rendeu-se. Dai Vernon tinha enganado o grande Houdini.
DICAS
-Ainda sem local marcado, mas com programa já definido, os XXX Encontros GMS, estão apontados para 15 e 17 de Março de 2019. Entre os temas técnicos a tratar, destaque para “Magia de Improviso sem Acessórios” e “Manejo e Técnica de Moedas”. Está ainda anunciada pelos responsáveis uma conferência por um “famoso mágico”.
-Na Festa do Pontal, actualizada para “arraial de Querença/Loulé”, Rui Rio acusou “alguns críticos internos de apenas pensarem nos seus lugarzinhos”, levando Luís Montenegro, ex-líder da bancada do PSD, a responder, em comentário na TSF, que “não foram palavras felizes”. Dúvida de Mágico: entre as palavras não felizes e os lugarzinhos, Rui Rio levará o mandato “até ao último minuto”?
* Ilusionista – coordenador do MagicValongo Festival Internacional de Ilusionismo




