Os resultados das eleições distritais em Hong Kong confirmaram que o bravo povo da RAEHK tinha necessidade de, mais uma vez, mostrar um cartão vermelho à Chefe do Executivo, Carrie Lam, e ao Governo Central pela forma como lidaram com as interferências de Pequim e os protestos.
Quando o poder em Hong Kong julgava que haveria uma maioria silenciosa pela paz na cidade, estas eleições revelaram que a vontade do povo é no sentido da mudança. E estas eleições atestaram um elevado sentido de civismo por parte da população depois dos traumas das últimas semanas de loucura total por parte de estudantes e manifestantes radicalizados, numa espiral de violência que quase matou o verdadeiro movimento democrático.
Se a senhora Carrie Lam e o Governo Central fizessem uma leitura correcta dos resultados de domingo passado, a Chefe do Executivo de Hong Kong já teria abandonado o cargo face à estrondosa derrota. Foi possível, com este acto eleitoral, criar uma janela de esperança para um verdadeiro diálogo em Hong Kong sobre a evolução democrática do território vizinho, desde que haja vontade política por parte da ainda Chefe do Executivo.
Estas eleições provaram, também, que nem todos os jovens da RAEHK optaram pela fuga para a frente, através das manifestações violentas de uma revolução que nunca existiu, preferindo, de cara destapada, concorrer ao sufrágio, o único, até ao momento, em Hong Kong, verdadeiramente democrático e representativo.
Nesse domingo, Hong Kong como que renasceu do pesadelo de cinco meses, se exceptuarmos, claro, os protestos iniciais contra a Lei da Extradição e a grandiosa manifestação, pacífica, de mais de dois milhões de pessoas nas ruas. Por tudo isso, ganha significado o Hong Kong Act, a Lei sobre Direitos Humanos e a Liberdade em Hong Kong, promulgada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que suscitou uma rara unanimidade entre Republicanos e Democratas.
A China, obviamente, que não gostou do que classifica como uma interferência nos assuntos internos, mas fica a saber, mais uma vez, que Washington e outras capitais, não vão abandonar a cidade, antes pelo contrário.
Com este mandato democrático reforçado pelo voto popular, o Movimento voltou às suas raízes e poderá lutar, dentro do sistema e do regime, na esperança de transformações políticas em Hong Kong, num clima longe da rua e da violência gratuita das últimas semanas.
Aliás, os vinte e tal estudantes que ainda se encontram na PolyU, a ser verdade, devem receber, urgentemente, tratamento psiquiátrico de modo a poderem regressar à normalidade e integração na sociedade.
* Jornalista



