António Cardinal*

António Cardinal*

O químico Filipe Monteiro em “diálogo” com o ilusionista PhilMont

Quando Maria José, licenciada em Gestão e Planeamento em Turismo pela Universidade de Aveiro (mais três anos dedicados à Matemática Aplicada), decidiu “pousar” o curso e optar por participar, de forma empenhada e activa, no projecto do marido, Filipe Monteiro, engenheiro químico saído também em 1988 da Universidade de Aveiro, certamente não faria ideia de que o que parecia ser uma aventura de curta duração se tornaria, por assim dizer, num modo de vida.

Isto porque, a partir de 2010, o engenheiro químico Filipe decidiu partilhar a exclusividade desta profissão pelas artes do palco, no caso o Ilusionismo, e pela escrita, acções que conjugou e adequou a um público muito especial – o escolar juvenil com idades  entre os 12 e os 15 anos.

Filipe Monteiro, com a cumplicidade da Maria José, traduziu a concepção de aula de Química num combinado “químico”   Ciência/Ilusionismo, amparado no livro “Mestre Carbono, o Cientista” de que Filipe Monteiro é autor, resultando daí numa sessão de ensino desafiante e experiências bastante visuais,  baseadas no Ilusionismo, que se tornam causa/criação de efeitos finais (verdadeiramente) mágicos.

A propósito do “Mestre Carbono, o Cientista” não resistimos em deixar um pequeníssimo resumo publicado na revista “Química”, publicação da Sociedade Portuguesa de Química: “Sendo um livro vocacionado para um público juvenil, entre 12 e 15 anos, as suas ilustrações agradarão seguramente aos leitores ainda mais jovens. Foi a pensar neles, aliás, que o autor incluiu no final um glossário para termos que lhes possam ser menos familiares. Mas a complexidade da temática e a sua actualidade, não deixa de o transformar num livro de leitura obrigatória também para um público de maior idade.”

Neste livro, Filipe Monteiro veste a fatiota de escritor/autor,   faz a introdução de alguns conceitos e conhecimentos na área da Química, uma das ciências exactas com papel fundamental no desenvolvimento tecnológico e evolução do Homem.

Observa que muitas vezes esta área é tida como uma “ciência mal-amada” atribuindo-se-lhe uma grande responsabilidade na poluição ambiental e/ou imputando-lhe a responsabilidade (?) pelo aquecimento global. Nesta matéria recorda, todavia, a importância central que a Química tem no bem-estar e evolução do ser humano e afirma que, na verdade, deve-se à utilização dos conceitos e técnicas desta ciência a obtenção de novas substâncias, com as aplicações mais diversas nas áreas da saúde, da informática, da tecnologia, da Biologia, Física, Astronomia, Geologia…, cabendo-lhe também um papel preponderante na prevenção de danos e exploração sustentável do Meio Ambiente (Química Verde).

Atrevemo-nos, no entanto, a dizer que o que põe a dupla Filipe Monteiro/Maria José a protagonizar esta aventura fica a dever-se ao facto de existir em Filipe Monteiro o mágico Phil Mount (nome artístico no ilusionismo) que percebeu ser uma opção acertada deitar mão do Ilusionismo, Arte do Entretenimento, proporcionando assim melhor acesso e mais apetência à aprendizagem nas escolas  da “chata” Química.

Filipe Monteiro é ainda autor de “O Menino que Sonhava Salvar o Mundo”, um livro que conta a história de um menino que tinha uma imaginação tal que o levava ver-se a  salvar o mundo, e do romance “O Segredo da Serra dos Candeeiros”, onde questiona:  “Que segredos encerram aqueles estranhos achados encontrados na Serra dos Candeeiros e grutas de Mira d’Aire, e que já valeram a morte de vários arqueólogos? Quem será a misteriosa e sinistra Organização que tudo fará para se apoderar daquele segredo milenar?” Tal como um efeito, na Arte do Ilusionismo, um autor, como define Filipe Monteiro, “não é aquele que publica um livro mas aquele que o escreve”.

 

DICAS:

– O jornal regional “Diário As Beiras”, fundado em 15 de Março de 1944, com sede em Coimbra, actualmente dirigido por Agostinho Franklim, realizou a sua 23ª Gala “Troféus Diário As Beiras”. O  Prémio Cultura foi atribuído ao Festival de Ilusionismo “Encontros Mágicos”. Este evento teve a sua primeira edição em 1992 numa iniciativa do ilusionista Hortiny/José Carlos Gomes Pita (falecido em 1996) apoiada pelo presidente da Câmara coimbrã, Dr. Manuel Machado. “Encontros Mágicos” foram recuperados em 1998 por Luís de Matos, que vem mantendo, ininterruptamente, até aos dias de hoje, com inegável e reconhecida relevância nacional e internacional.

– “Passos Coelho está morto politicamente e ainda ninguém lhe disse”, é o título de uma entrevista a José Miguel Júdice publicada  (21 de Abril de 2017) pelo semanário “Sol”. Dúvida de Mágico: esta “morte”, agora anunciada, fez de Miguel Relvas um “ressuscitado”?

 

* Ilusionista – coordenador do MagicValongo Festival Internacional de Ilusionismo