“E não pararam por aí novos estudos sobre Macau e a China, impulsionados inicialmente pela colaboração com Luís Gonzaga Gomes.”
Carlos Francisco Moura, 2014
O falecimento de Luís Gonzaga Gomes, em 1976, não pôs fim à colaboração do investigador Carlos Francisco Moura com Macau, nem os seus estudos sobre Portugal no Oriente cessaram. Várias publicações acolheram os seus trabalhos e o Instituto Internacional de Macau (IIM), criado em 1999, quis retomar a produtiva cooperação cultural desenvolvida anteriormente através do professor, escritor e historiador macaense.
Quatro foram as razões que determinaram a decisão do IIM: A qualidade dos trabalhos de investigação de Carlos Francisco Moura; a memória da prestimosa colaboração por ele oferecida a Gonzaga Gomes, a intensa parceria estabelecida entre o IIM e o Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, instituição de referência a que Carlos Moura está há muitos anos ligado e que concedeu ao presidente do IIM o honroso título de membro benemérito, e a positiva intervenção de Agostinho da Silva no estabelecimento da eficaz parceria entre os dois investigadores, sendo o ideário deste mestre da língua e da cultura portuguesa uma permanente fonte de inspiração para quantos tiveram responsabilidades no estabelecimento e na definição dos objectivos e propósitos do IIM, no decisivo período de transição político-administrativa do território.
Vem a propósito referir que, alguns anos antes desta importante intervenção de Agostinho da Silva, um grupo de alunos do Liceu Nacional Infante D. Henrique (Macau), sabendo que este muito respeitado professor tencionava visitar o Japão no âmbito do seu relevantíssimo trabalho académico, fez diligências para o trazer a Macau, contactando directamente duas instituições culturais brasileiras onde ele desenvolvia exemplarmente as suas actividades e convidando-o pessoalmente, por telegrama. Chegado a Hong Kong, para no dia seguinte partir para Tóquio, fomos buscá-lo ao aeroporto de Kai Tak, tendo passado a tarde connosco no ginásio do nosso Liceu, onde proferiu uma inolvidável conferência sobre a projecção da língua portuguesa no mundo. Iniciativa da Comissão Pró-Associação dos Alunos do Liceu, de que eu era vice-presidente, ficámos para sempre ligados a esta personalidade inesquecível e à força da sua universalista mensagem.
Novos trabalhos publicados
No artigo anterior, foi feita a apresentação dos sete estudos de Carlos Francisco Moura que integraram vários volumes do Boletim do Instituto Luís de Camões entre 1971 e 1976. Alguns destes estudos conheceram desdobramentos e surgiram também em outras conhecidas publicações, conforme o próprio investigador revelou no volume XIX da colecção “Mosaico” do IIM:
“O artigo ‘Tristão Vaz da Veiga, capitão-mor da primeira viagem Macau – Nagasáqui’ também foi publicado no Boletim do Museu e Centro de Estudos Marítimos de Macau (n.º 3).
O ‘IV centenário do Namban-ji, Templo dos Bárbaros do Sul de Kyoto’ teve mais duas edições, uma no Rio de Janeiro, e outra, traduzida em japonês por Hino Hiroshi, na revista Kaidan, da Sofia University, de Tóquio.
Os outros artigos – ‘Colonos chineses no Brasil no Reinado de D. João VI’; ‘Relações entre o Brasil e Macau no início de século XIX, segundo as Memórias para servir à História de Brasil, do Pe. Perereca’; ‘Chineses no Rio de Janeiro requerem a D. João VI um cônsul e intérprete’; e ‘A Cidade do Nome de Deus em 1880, vista por um brasileiro’ – foram atualizados e acrescentados no artigo geral ‘Relações entre Macau e o Brasil no século XIX’, publicado nas três edições da Revista de Cultura, de Macau, em português, inglês e chinês (n.º 22 (II Série) Jan/Mar, 1995).
E não pararam por aí nossos estudos sobre Macau e a China, impulsionados inicialmente pela colaboração com Luís Gonzaga Gomes: Macau somos nós: um mosaico de memórias dos macaenses do Rio de Janeiro, em conjunto com Andrea Doré e Anita Correia de Almeida (Macau: IIM, 2001); Antônio de Albuquerque Coelho, mestiço de Camutá no Grão-Pará, Governador de Macau, do Timor e de Pate + Jornada de Goa a Macau em 1717-1718, descrita por Velles Guerreyro (fac-símile) – (Rio de Janeiro, RGPL/IIM, 2009); Liou She-Shun, Plenipotenciário do Império da China: viagem ao Brasil em 1909, Colecção Suma Oriental n.º 2 (Lisboa: IIM/Rio de Janeiro: RGPL, 2012); Liou She-Shun, Plenipotenciário do Império da China: viagem ao Brasil em 1909. Tradução em chinês pela Prof.ª Zhang Minfen, da Universidade de Shanghai. Macau: IIM, 2013, il. ISBN: 978-99937-45-65-5; A Jornada do paraense Antônio de Albuquerque Coelho, de Goa a Macau em 1717-1718, in Literatura e Lusofonia (Natal: UCCLA, 2013); Brasileiros nos Extremos Orientais do Império nos Séculos XVI a XIX, Colecção Suma Oriental n.º 7 (Lisboa: RGPL/IIM, 2014). E este que agora apresentamos (‘Luís Gonzaga Gomes e uma produtiva cooperação cultural Macau – Portugal – Brasil’), que faz um retrospecto da colaboração e constitui uma homenagem a Luís Gonzaga Gomes.”
Entretanto, em 2023, o IIM publicou o livro Tristão Vaz da Veiga: Capitão-Mor da Primeira Viagem Macau – Nagasáqui 1571, já em terceira edição, revista, actualizada e complementada pelo autor, quando a cidade de Nagasáqui completou, em 2021, 450 anos.
Estudos em edições do IIM
Em resumo, foram estes os trabalhos de Carlos Francisco Moura publicados pelo IIM, a partir de 2001:
- Macau somos nós: um mosaico de memórias dos macaenses no Rio de Janeiro (em conjunto com Andrea Doré e Anita Correia de Almeida). Macau: Instituto Internacional de Macau, 2001, 344 p. il.
- Antônio de Albuquerque Coelho: mestiço de Camutá, no Grão-Pará, Governador de Macau, do Timor e de Pate + Jornada de Goa a Macau em 1717-1718, descrita por Velles Guerreyro (fac-símile). Rio de Janeiro: Real Gabinete Português de Leitura/Instituto Internacional de Macau, 2009, 83 p. + 186 p., il.
- Jornada, que o Senhor Antonio de Albuquerque Coelho, Governador e Capitam-geral da Cidade do Nome de Deus de Macao na China, Fes de Goa athe chegar a ditta Cide Dividida em duas partes Offerece esta obra a Sua Senhoria o Capitam Joam Tavares de Velles Guerreyro Seo menor Servidor’ (fac-símile). In Moura, Carlos Francisco, Antonio de Albuquerque Coelho mestiço de Camutá, no Grão-Pará: Governador de Macau, do Timor e de Pate. Rio de Janeiro: Real Gabinete Português de Leitura/Instituto Internacional de Macau, 2009. 186 p.
- Liou She-Shun – Plenipotenciário do Império da China: viagem ao Brasil em 1909. Colecção Suma Oriental n.º 2. Lisboa: Instituto Internacional de Macau/Real Gabinete Português de Leitura, 2011. 120 p. il.
- Chineses e chá no Brasil no início do século XIX. Colecção Suma Oriental n.º 5. Lisboa: Instituto Internacional de Macau/Real Gabinete Português de Leitura, 2012. 127 p., il.
- Liou She-Shun – Plenipotenciário do Império da China: viagem ao Brasil em 1909. Tradução em chinês pela Prof.ª Zhang Minfen, da Universidade de Shanghai. Macau: Instituto Internacional de Macau, 2013, il. ISBN: 978-99937-45-65-5.
- Brasileiros nos Extremos Orientais do Império nos Séculos XVI a XIX. Lisboa: Instituto Internacional de Macau/Real Gabinete Português de Leitura, 2014. 80 p., il.
- Luís Gonzaga Gomes e uma produtiva cooperação cultural Macau – Portugal – Brasil, Lisboa: Instituto Internacional de Macau, 2014. 60 p., il.
- Tristão Vaz da Veiga: Capitão-Mor da Primeira Viagem Macau – Nagasáqui 1571, Macau: Instituto Internacional de Macau, 2023, 104 p. il.
* Presidente do Instituto Internacional de Macau. Escreve neste espaço às 2.ªs feiras.



