Nos últimos anos, as dificuldades dos jovens graduados locais em encontrar emprego consoante as suas expectativas têm sido um tema altamente discutido, gerando a ansiedade em torno do “desemprego logo depois da graduação” entre a população jovem. Paralelamente, a ampla aplicação da tecnologia de inteligência artificial (IA) está a acelerar a transformação do mercado de trabalho, com muitos postos de trabalho repetitivos e fixos a serem substituídos, agravando ainda mais a concorrência no emprego.

Na minha opinião, o “desemprego logo depois da graduação” não é uma conclusão inevitável e a IA traz não apenas desafios, mas também novas oportunidades. Os jovens só conseguirão quebrar este impasse e assumir um papel activo nesta mudança de época, se agirem de forma proactiva e se adaptarem activamente às mudanças.

Considero que as dificuldades dos graduados locais na procura de emprego residem, fundamentalmente, no duplo efeito resultado do desequilíbrio entre a oferta e a procura e de um desvio cognitivo.

Por um lado, há uma desarticulação entre a formação de quadros por parte das instituições de ensino superior e a procura do mercado, sendo que alguns cursos estão desactualizados, o que leva a que as competências dos recém-graduados não correspondam às exigências das empresas.

Por outro lado, muitos jovens têm expectativas demasiado elevadas em relação ao “emprego ideal”, procurando excessivamente altos salários e “empregos decentes”, ignorando oportunidades em áreas de base ou emergentes, o que reduz ainda mais o seu espaço de emprego.

Além disso, o aumento anual do número de graduados tem tornado a competição cada vez mais renhida. Embora sejam comuns as dificuldades em encontrar um “emprego ideal”, isto não significa “desemprego”, mas sim uma situação temporária de “enfrentar dificuldades em escolher um emprego”.

Além disso, a popularização da IA trouxe uma mudança profunda ao mercado de trabalho. Dados mostram que, actualmente, a taxa de exposição dos postos de trabalho à IA atinge 31% no Interior da China, com postos de trabalho repetitivos como atendimento básico, introdução de dados e programação básica a serem amplamente substituídos.

Algumas empresas, ao adoptarem cegamente a estratégia de “substituição da mão-de-obra pela IA”, intensificam ainda mais a ansiedade laboral dos jovens. No entanto, é importante notar que a IA só consegue substituir “tarefas””, e não “postos de trabalho” completos. Competências como a comunicação emocional, o julgamento complexo e o pensamento inovador são capacidades exclusivamente humanas e são, precisamente, as áreas em que a IA tem grandes limitações. As empresas que dependem excessivamente da substituição da mão-de-obra pela IA enfrentam frequentemente problemas como declínio de desempenho e perda de clientes, o que comprova a insubstituibilidade do valor dos recursos humanos.

Perante as dificuldades de emprego e a transformação trazida pela IA, penso que os jovens devem recusar a atitude de viver “de forma deitada”, lutar por melhores condições e agir proactivamente em três vertentes.

Primeiro, ajustar a mentalidade em relação ao emprego, abandonando a “postura do elitismo”. É importante olhar de forma racional para o “emprego ideal”, não perseguindo cegamente a perfeição, mas aprendendo a acumular experiência na prática e encarando o primeiro emprego como uma “zona tampão” para crescimento, em vez de um destino final.

Segundo, aprofundar competências essenciais, criando vantagens “insubstituíveis pela IA”. Isto significa que, além de dominar sólidos conhecimentos profissionais, é necessário desenvolver o pensamento inovador e a capacidade de comunicação e cooperação. Ao mesmo tempo, é importante aprender activamente competências relacionadas com a IA para alcançar uma “sinergia humano-máquina”, transformando a IA numa ferramenta auxiliar.

Terceiro, manter uma atitude de aprendizagem contínua e adaptabilidade flexível. O mercado de trabalho está em constante mudança, com novas profissões a surgir sem parar. Neste contexto, os jovens devem acompanhar activamente as tendências dos sectores, quebrar padrões de pensamento fixos e estar dispostos a experimentar novas áreas e novos postos de trabalho, incluindo até o empreendedorismo. Simultaneamente, devem aprender a dividir os seus objectivos em pequenas metas, usando pequenas conquistas para se motivarem, evitando cair na exaustão ou na inércia, e melhorando-se através da persistência.

“Ficar desempregado logo depois da graduação” nunca é uma tendência inevitável da época, mas sim um teste no caminho de crescimento dos jovens. No mercado de trabalho da era da IA, quem fica para trás são aqueles que não progridem e se fecham em si mesmos. Os jovens graduados locais só conseguirão encontrar o seu lugar na competição intensa, quebrar o impasse das “dificuldades na procura de emprego” e enveredar por um caminho de progresso para a sua geração, se encararem a realidade, agirem proactivamente às mudanças, ganharem capacidades sólidas e assumirem uma atitude positiva e um pensamento flexível.

 

*Presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau