António Aresta*
António Aresta*

O quinto volume das Figuras de Jade, que agora se apresenta, representa um esforço continuado na investigação, na selecção e na pesquisa de personalidades relevantes, em todos os domínios, que por motivos imponderáveis caíram no mais atroz e injusto esquecimento, apesar de terem mantido uma relação, longa ou fugaz, com Macau, marcando uma época.

São estas personagens que marcaram e influenciaram a história cultural de Macau.

E uma sociedade que não preserva a sua memória, a memória da sua história e a memória dos seus personagens, caminha em passo acelerado para o apagamento total e irreversível.

Permitam-me, pois, que convoque Luís de Camões, que na sua magistral obra “Os Lusíadas”, na segunda estrofe do canto primeiro, cantou o seguinte:

E aqueles que por obras valerosas

Se vão da lei da morte libertando:

Cantando espalharei por toda a parte,

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 

E Macau, pelo peso da sua circunstância histórica, pelo desencontro de emoções que provoca, está carente de um sobressalto cívico para reavivar e reanimar a memória dessa multidão, as Figuras de Jade, que tanto trabalhou para desenvolver e delinear com nitidez a independência mental, cultural e social do Território, no seio da grande China.

O prefácio deste quinto volume é assinado pelo Doutor António José Queiroz, reputado historiador, e dele retiro esta ideia nuclear: “cada artigo é simultaneamente estudo e homenagem, reconstrução histórica e leitura sensível, reflexão e evocação”.

Esta é uma síntese feliz e sumamente pedagógica, porque as novas gerações necessitam de referências fidedignas, credíveis e isentas para construírem os seus juízos de valor, para fazerem a articulação dos saberes e problematizarem os seus conhecimentos, sempre com rigor, actualidade, pluralismo e verdade.

O quinto volume das Figuras de Jade continua a beneficiar do bom acolhimento da direcção do Jornal Tribuna de Macau e do benévolo e imprescindível apoio do Instituto Internacional de Macau, com um especial reconhecimento ao seu presidente, doutor Jorge Rangel e também ao dedicado trabalho do seu secretário-geral Dr. António Monteiro.

Os quatro volumes anteriores foram prefaciados, respectivamente, por José Rocha Diniz [2014], Ana Costa Lopes [2018], José Valle de Figueiredo [2021] e Celina Veiga de Oliveira [2025].

Neste contexto, gostaria de lembrar o papel extraordinário desempenhado, com critério e sentido estratégico, pelo Instituto Internacional de Macau na sua qualidade de grande Editor, não só no Território, mas também no enorme espaço da Lusofonia. E creio que este desígnio cultural merece ser continuado e reforçado no futuro.

Estou grato aos leitores que me escrevem, que me dirigem palavras de estímulo e de incentivo, mas também críticas construtivas e sugestões oportunas.

Uma outra boa notícia fica para o fim: o sexto volume das Figuras de Jade já está em preparação.

Muito obrigado pela vossa atenção e amizade.

 

*Ex-docente em Macau. Colaborador regular do JTM, desde há décadas. Autor de variada bibliografia sobre Macau