António Cardinal*
António Cardinal*

Em Janeiro de 1909, nascia Saúl Fernandes de Aguilar que se tornaria para o Ilusionismo no eterno Conde de Aguilar. Passados 110 anos após o seu nascimento, e ainda nos dias de hoje, há quem recorde, porque viu ou ouviu falar este português que correu mundo, sobretudo países africanos lusófonos, com presenças repetidas em Angola e Moçambique, convertendo-se numa figura afamada da época. E mantém-se ainda como referência do Ilusionismo português e um dos históricos indiscutíveis.

Nascido em Lisboa viria a falecer no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, em Fevereiro de 1988 aos 79 anos de idade, completados em Janeiro desse ano.

A imagem de “conde” marcou a carreira de Aguilar

Em Espanha, o jornal “La Vanguardia Española” anunciava na sua edição de 18 de Agosto de 1934: Conde de Aguilar no Teatro Barcelona, “Un genio del ilusionismo moderno! Presenta por primera vez en Barcelona su espectáculo de ilusión y fantasía”. E, em Madrid, o ABC na edição de 12 de Fevereiro de 1949 na sua rubrica “Informaciones y Noticias Teatrales y Cinematogrraficas” abordava, de forma crítica, o espectáculo de Ilusionismo e Variedades “O Mundo Imaginário”, em representação no Teatro de la Zarzuela, destacando: “La parte principal corre a cargo del gran ilusionista y prestimano lusitano, Conde d`Aguilar que realiza juegos llenos de limpieza, habilidad y elegancia verdaderamente sorprendentes”.

A propósito, o Teatro de la Zarzuela, aberto ao púbico em 1856, inspirado no teatro La Scala de Milão, inaugurado em 1778, tinha por objectivo a apresentação de operetas tornando-se, contudo, no Século XIX, como o principal palco de ópera da capital espanhola.

Entretanto, na manhã do dia 8 de Novembro de 1909, Madrid despertou com o emblemático Teatro de la Zarzuela em chamas, destruindo grande parte do edifício.

A “opereta” do fogo exibida pelo Teatro de la Zarzuela era de terror com um intenso fumo e labaredas a servirem de cenário. Um cenário de tragédia, talvez a tragédia mais relevante ocorrida em Espanha na primeira metade do Século XX. O La Zarzuela reabriria em 1914 não ostentando, na sequência do incêndio, as irrecuperáveis obras de tecto dos pintores Francisco Hernandez Tomé (falecido em 1872) e Manuel Rodriguez da Parra Castellanos (falecido em 1880).

Nessa altura, no ano de 1909, D. Manuel II Rei de Portugal visitava Espanha para se encontrar com Afonso XIII e Vitória Eugénia, Reis de Espanha, retribuindo a deslocação a Portugal de Afonso XIII, em Fevereiro desse ano.

Quanto ao Teatro Barcelona, referido desta forma pelo jornal “La Vanguardia Española” deixa-nos a incerteza de ser o conhecido Teatro Principal (Barcelona). Este, o Teatro Principal, fundado em 1579, foi sujeito a várias reconstruções ao longo dos Séculos e, originalmente, era conhecido como Teatro de la Santa Cruz.

Foi por estes palcos históricos e emblemáticos que o português Conde de Aguilar, casado com a espanhola Julia Domene Cruz Aguilar, a sua partenaire July foi fazendo estrada, adicionando sucessos.

Em 1943, o “Novo Circo”, sob a direcção de Gianelli, anunciava em Portugal a “Nova Companhia”: “pela primeira vez na Feira Popular de “O Século” a “grande atracção universal D’Aguillar, o mago de 1943 – o enigma do dia – 15 minutos no reino do mistério – O artista que altamente honra o teatro português”. A Feira Popular, inaugurada em Junho de 1943, em Palhavã, até 1956, no Parque José Maria Eugénio, reabriria em Entrecampos em 1961, era o sustentáculo financeiro principal da Fundação “O Século”, iniciativa do então existente jornal “O Século”, dirigido por João Pereira Rosa com o fim de financiar colónias de férias a crianças carenciadas viria a encerrar a sua actividade em 2003.

 

DICAS

-O Clube Fenianos Portuenses, a comemorar 115 anos de existência, oferece uma programação especial para este Natal, de portas abertas à Cidade, com entrada gratuita. Do programa consta um Estúdio de Criatividade para Crianças, Feira do Livro, uma exposição dedicada à Filatelia, actividades de Dança, Coros, Música e, naturalmente, sessões de Ilusionismo coordenadas pela secção Cube Ilusionista Fenianos/CIF, fundada em 1959, mantendo-se activa há 60 anos.

 

-Na passada 3ª feira, 3 de Dezembro, a pedido do grupo parlamentar do PSD, a Directora de Informação e a jornalista Sandra Felgueiras, foram ouvidas no Parlamento a propósito do adiamento do programa “Sexta às 9”. Sandra Felgueiras: “Se me perguntam se era possível fazer o ‘Sexta às 9’ durante Setembro, a minha resposta é sim”. Maria Flor Pedroso, Directora de Informação: “Esta Direcção não guarda notícias na gaveta”. Dúvida de Mágico: na suposta táctica eleitoral, haveria outra gaveta?

 

* Ilusionista – coordenador do MagicValongo Festival Internacional de Ilusionismo