Luiz de Oliveira Dias*

Luiz de Oliveira Dias*

Como Albano Martins, também eu escrevi duas ou três vezes em defesa de Fong Soi Kun. E lembro-me que na última delas, o Eng. Olavo Rasquinho, antigo director dos Serviços de Meteorologia e Geofísica e do Comité das Nações Unidas para os tufões, escreveu uma carta ao Director deste Jornal, na altura José Rocha Diniz, dizendo-lhe que subescrevia totalmente as minhas afirmações.

Depois disso, Fong Soi Kun, pediu a demissão do seu cargo à frente dos SMG, foi objecto de uma investigação do CCAC e viu congelada pelo Chefe do Executivo pelo período de 4 anos a pensão de reforma a que tinha direito.

Entretanto, foi nomeado um novo director daqueles Serviços o qual acumula essas funções com as de director dos Serviços do Ambiente pois, embora não saiba nada do Ambiente ou de Meteorologia e de Geofísica, é um bom gestor.

Agora, o Eng. Rasquinho (uma das maiores autoridades mundiais na área dos tufões) escreveu novamente ao JTM uma carta sobre o que chamou “o assassinato de carácter” do Dr. Fong. Trata-se de um artigo objectivo que, dada a especial autoridade do seu autor, constitui um testemunho singularmente válido sobre a sua actuação na prevenção do tufão HATO.

Entre as observações que faz, destaco as seguintes:

1. “Foi com grande surpresa que tomei conhecimento da pesada sanção decidida pelo Governo de Macau contra aquele ex-Director, relatório esse elaborado a quente por elementos alheios à Meteorologia”.

2. “É estranho não ter sido tomado em consideração o relatório elaborado por especialistas nomeados por entidades governamentais da RPC no qual está expresso que o HATO foi um fenómeno com evolução difícil de prever dada a sua extrema anormalidade”. O que leva o Eng. Rasquinho a concluir que “não se pode prever eficientemente algo de anormal”.

3. O Dr. Fong (que com ele trabalhou como sub-director quando o Eng. Rasquinho era director) “é uma pessoa muito discreta mas muito racional que desempenhou a suas funções com competência e contribuiu para o prestígio de Macau em reuniões internacionais nas áreas dos tufões”.

4. “A pesada sanção aplicada mais parece um assassinato de carácter e constitui uma atitude muito grave de quem a decidiu”.

5. E cita, finalmente, “uma respeitada revista científica japonesa que inclui em recente edição um artigo sobre o HATO cujo titulo é “Teria o sinal 10 sido içado no momento apropriado”? Ao que o especialista que o escreveu diz que a emissão daquele sinal por FSK pode ser considerado razoável dado o rápido movimento e intensificação do HATO e os riscos económicos associados ao jogo”.

Dado que quer o Eng. Olavo Rasquinho, quer os especialistas chineses e os cientistas japoneses que cita sabem muito mais sobre tufões do que o Chefe do Executivo, a Secretária Chan, o Comissário Cheong e o Deputado Pereira Coutinho, que terá levado estas altas entidades a aplicar tão pesadas sanções? A quem aproveitará esta condenação de carácter e profissional do Dr. Fong? Certamente que não ao Governo, como não ao Comissário Contra a Corrupção e ao Deputado Coutinho mas ao novo director dos Serviços de Meteorologia e Geofísica em acumulação os serviços do Ambiente, considerado “um bom gestor”?

Infelizmente veremos em breve como um gestor, por melhor que seja, vai ser capaz de decidir quando os sinais de 1 a 10 dos tufões devem ser içados. Mas então já será tarde.

 

* Docente. Anterior presidente do Instituto Politécnico de Macau.