“Embora a Fundação tenha iniciado a sua actividade com algumas contrariedades e dificuldades, foi possível, ao longo destes 25 anos, impor-se na sua missão estatutária de reforçar as relações históricas entre Portugal e a China, através de Macau.”
Do discurso da presidente da FJA na sessão comemorativa do seu 25.º aniversário
No artigo anterior, em que se procedeu à divulgação do “Prémio Fundação Jorge Álvares – General Vasco Rocha Vieira – Amizade Portugal-China”, anunciámos que seriam identificadas, num outro artigo, as principais realizações desta Fundação levadas a efeito nos últimos anos. Do discurso proferido pela sua presidente, Dra. Maria Celeste Hagatong, na sessão comemorativa do seu 25.º aniversário, podemos destacar importantes parcerias estabelecidas e relevantes projectos concretizados:
- A colaboração constante com a Câmara Municipal de Mafra, município onde se situa a Casa da FJA em Alcainça (Casal de S. Bernardo), que tem como ponto alto a organização anual do Festival de Música de Mafra “Filipe de Sousa”, que já vai na IX edição e que, em 2025, contou com a participação da Orquestra Juvenil de Macau. Este Festival tem, desde o seu início, como director artístico o pianista Adriano Jordão, que esteve ligado ao Festival de Música de Macau desde o seu lançamento.
- A crescente cooperação com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, cujo Conselho Estratégico integra a presidente da FJA.
- O relacionamento mutuamente benéfico com a Associação Portuguesa dos Amigos da Cultura Chinesa, que atribuiu à FJA o título de membro honorário, em reconhecimento da sua contribuição para a aproximação entre Portugal e a China. Com o valioso apoio da sua presidente, Prof.ª Wang Suoying, membro do Conselho Consultivo da Fundação, têm sido desenvolvidas várias iniciativas, essencialmente nas áreas da cultura e da educação para jovens e crianças portuguesas e chinesas.
- O relacionamento útil com o Instituto de Etnomusicologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com quem são organizadas anualmente as Conferências de Música e Instrumentos Musicais Chineses. A sua 8.ª edição, levada a efeito em 2025, reuniu 59 investigadores portugueses e estrangeiros, provenientes de mais de 10 países, tendo como coordenador o Mestre Enio de Souza.
- A parceria com a Brotéria, Centro Cultural dos Jesuítas no Bairro Alto, onde se localiza uma biblioteca singular, com inúmeras publicações originais dos Jesuítas, com alusões a Macau e à China. A FJA apoia a recuperação de algumas dessas publicações, com vários séculos, e as conferências sobre as mesmas. Fez-se em Setembro a apresentação do primeiro livro recuperado com o apoio financeiro da FJA, pela investigadora Isabel Pina.
- A estreita colaboração, desde a primeira hora, com o Instituto Internacional de Macau, na promoção e divulgação das respectivas actividades e no apoio às mesmas em Portugal e em Macau.
- A atribuição de prémios escolares anuais a alunos da Escola Portuguesa de Macau, bem como prémios e bolsas de estudo a alunos da Universidade de Macau.
- O apoio à Casa de Macau em Portugal, onde se reúne a comunidade macaense em Lisboa, sendo a FJA, desde Julho último, seu sócio benemérito.
- A filiação no Centro Português de Fundações, que tem tido um papel relevante na profissionalização da gestão e na sua adaptação aos novos desafios que se levantam, como a sustentabilidade e os princípios de boa governação das fundações.
- Para além do já referido, a Fundação Jorge Álvares tem sido o principal mecenas do Centro Científico e Cultural de Macau, tendo, ao longo destes 25 anos, patrocinado exposições, publicações e outras iniciativas ali realizadas.
- Destas últimas, importa referir, em 2022, a instalação definitiva da Biblioteca Fundação Jorge Álvares no CCCM, uma das mais importantes bibliotecas europeias sobre a temática das relações entre Portugal e a China através de Macau.
- Em 2023, deu-se prioridade a arquivos pessoais dos Governadores de Macau, tendo sido depositados no CCCM os arquivos pertencentes ao General Vasco Rocha Vieira e ao General Garcia Leandro, a que se seguiram espólios disponibilizados por famílias de outros Governadores.
- A inauguração, em 2024, da Galeria dos Governadores de Macau, onde estão reunidos 41 retratos dos Governadores, muitos dos quais anteriormente expostos no Palácio da Praia Grande e que vieram para Portugal em Dezembro de 1999. Cada retrato está legendado com os aspectos mais importantes registados no respectivo mandato, trabalho efectuado pelo investigador Alfredo Gomes Dias. A visita à Galeria dos Governadores é uma visita à história de Macau e das relações entre Portugal e a China.
- Duas iniciativas desenvolvidas desde a presidência do Eng.º Carlos Melancia: a Biblioteca Digital e a edição dos livros para o público infantojuvenil da autoria das escritoras Isabel Alçada e Ana Magalhães, sobre aspectos históricos da presença dos portugueses no Oriente. A Fundação distribuiu estas edições de forma gratuita por todas as bibliotecas escolares do ensino público e também por algumas instituições de ensino privado em Portugal, para além da sua oferta a escolas de Macau. Estes livros estão acessíveis de forma gratuita na Biblioteca Digital da Fundação Jorge Álvares.
- O último livro desta série, com o título “Encontros na Cidade Proibida”, sobre a vida do jesuíta Tomás Pereira, que viveu 30 anos na Cidade Proibida no séc. XVII, teve grande aceitação. Ele foi distribuído por departamentos de português de universidades e escolas secundárias da China Continental, graças à colaboração da Prof.ª Wang Suoying. A tradução desta obra está a ser feita e já se encontra no prelo um novo livro desta colecção, sobre Camões no Oriente, das mesmas autoras.
- A Biblioteca Digital da FJA foi desenvolvida com base nos manuais da Escola Portuguesa de Macau sobre a História de Macau, estando em fase de conclusão a modernização e actualização desta plataforma digital.
- Para assinalar o 25.º aniversário da FJA, foi adoptado um novo logótipo, inspirado numa decoração floral da garrafa dita de Jorge Álvares e exposta no Museu de Macau do CCCM. Também foi melhorado o portal da Fundação e garantida a publicação mensal da sua Newsletter, iniciada em 2023, que é enviada a mais de 2000 entidades.
- A colecção de arte chinesa, propriedade da FJA, depositada e em exibição no Museu de Macau do CCCM, integra essencialmente peças em porcelana chinesa antiga. Confiada a sua reavaliação a uma entidade de prestígio internacional no domínio da arte chinesa, foi confirmada uma valorização de 75% face ao seu custo de aquisição.
- Para melhor se conhecer o trabalho da Fundação nas suas primeiras duas décadas, foi publicado o livro “Jorge Álvares – 20 anos 1999-2019”, da autoria do seu secretário-geral e agora curador e administrador, Dr. Rui Soares Santos.
- A apresentação pública, com o patrocínio da FJA, da selecção fotográfica de Rui Ochôa sobre a transição de Macau, no CCCM, na Galeria do Casino do Estoril e, recentemente, no Palácio da Bolsa no Porto, mereceu um acolhimento muito positivo.
A presidente da FJA revelou ainda nas palavras que proferiu, que a Fundação, “ao longo do seu quarto de século, apoiou iniciativas próprias e de terceiros num montante superior a cinco milhões de euros, compreendendo cerca de 23 exposições, 80 edições e 83 conferências, colóquios e congressos.
O plano de actividades da FJA para o novo ano está já em fase final de preparação, devendo ser submetido oportunamente à apreciação e aprovação do seu Conselho de Curadores, definindo os seus programas, bem como o respectivo orçamento, elaborado sempre com o rigor necessário, tendo em conta as previsões das receitas e a evolução económico-financeira nacional e internacional.
* Presidente do Instituto Internacional de Macau. Escreve neste espaço às 2.ªs feiras.



