Os deputados querem mais áreas e zonas costeiras reservadas para uso público, nomeadamente ciclovias e trilhos. No entanto, o Governo reconhece haver limitações ao nível da qualidade da água, do espaço e da organização de trânsito
Salomé Fernandes
A deputada Song Pek Kei sugeriu, aquando da discussão da zona costeira, a utilização dessa paisagem para circuitos de exercício. “Com mais área marítima todos temos mais aspirações. Será que no futuro vai haver ciclovias?”, questionou, dando como exemplo a possibilidade de pavimentação da zona do NAPE para uma pista de jogging.
“O que podemos adiantar é que estamos a planear ter tudo isto em conta. (…) Julgo que vamos poder satisfazer todas as necessidades apresentadas” disse Mi Jian. O coordenador do Gabinete de Estudos das Políticas, tinha referido que o Conselho Executivo apresentou um plano ao Governo Central no início do ano esperando uma resposta dentro de dois meses através do Gabinete de Ligação.
O representante do Gabinete de Políticas do Governo considerou haver um mau entendimento da orla costeira, indicando que nem toda a extensão pode ser aproveitada. Mas há outros problemas em vista. “A qualidade de água é um problema. Agora não temos soluções para essa qualidade de água, porque vem do Rio Leste e é de muito má qualidade”, reconheceu, vincando que as autoridades estão “a procurar soluções para resolver esta questão”.
Para compensar a falta de espaço, planeia-se que nos cinco novos aterros, cerca de 80% de nova orla costeira, com uma extensão de 20km, seja aproveitada como um corredor costeiro.
A ideia da necessidade de ciclovias e trilhos para uso público foi levantada logo no início do debate numa intervenção de Mak Soi Kun e sido defendida por outros deputados.
De acordo com o Governo, na ciclovia Flor de Lótus planeia-se criar um ponto de aluguer de bicicletas, depois das obras, que “vão começar em breve”. Para além disso, na zona das Casas-Museu da Taipa prevê-se a criação e uma pista pedonal, depois de um impacto ambiental na zona ter revelado que não prejudica o descanso das aves. E parte dos jardins junto às habitações de Seac Pai Van será destinada para percurso pedonal.
“Em Macau não há ligação entre as ilhas onde as pessoas possam passar com a sua bicicleta e é um transporte mais amigo do ambiente, mais ecológico. Para se poder andar mais de bicicleta, quais os estudos desenvolvidos pelo Governo, entre as ilhas e a península de Macau?” questionou Sulu Sou.
Zheng Anting mencionou que em Zhuhai foram criadas barreiras anti-inundações e ciclovias. “Acho que em Macau muitos cidadãos esperam que esse planeamento também aconteça”, referiu. Já Lei Cheng I, questionou: “O Governo consegue com PCU [Plantas de Condições Urbanísticas], reservar zona marginal para utilização do nosso público? Independentemente da entidade, o essencial é estudar como fazer ligação das ciclovias, e no passado parece que o Governo nunca pensou nisso”.
O Secretário para os Transportes e as Obras Públicas alertou que a questão das ciclovias é “difícil porque todos sabem qual é a largura das vias”. “Tenho de reservar espaço para veículos e motociclos, mais o estacionamento, e para os peões. E depois há faixas exclusivas para os autocarros. Temos áreas limitadas”. Segundo Raimundo do Rosário, a discussão é sempre a mesma: espaço e terrenos.
Falta de espaço para gestão de trânsito
O director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San, referiu que passam 3.000 veículos por hora na zona da Pérola Oriental, prevendo “um aumento por volta de 24% nos próximos dois anos”. A informação foi fornecida aquando da discussão sobre o fluxo de veículos após a entrada em funcionamento da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.
Quanto à ponte, um membro do Governo explicou que “neste momento estamos a testar os equipamentos, as instalações, sobretudo o sistema de passagem alfandegária, e também a ajudar os condutores para obterem as respectivas licenças dos autocarros”.
Um dos mecanismos em cima da mesa para diminuir a pressão na zona norte, indicou o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, é realizar um pequeno aterro para fazer uma via a ligar a zona da Pérola Oriental às Portas do Cerco, o que requer autorização do Governo Central. Quanto à quarta ligação entre Macau e a Taipa, Raimundo do Rosário disse que a celebração do contrato “pode ser dois meses ou seis meses”. “Peço compreensão de que gostam de exigir calendários mas não consigo”, frisou, uma ideia repetida ao longo da sessão.
O Secretário explicou que “quase todos os processos estão numa acção judicial ou reclamação”, estando o seu tempo a ser “gasto” nas acções e não nas obras. “Quem devia tratar dessas acções não devia ser eu, devia ser um jurista. Eu sou engenheiro. O que eu devia aturar eram as obras, mas quase todas envolvem acções judicias ou queixas. Gostaria agora de divulgar à população que isto é a realidade”.



