RAEM realizou sessão sobre o “espírito” das reuniões magnas de Pequim
RAEM realizou sessão sobre o “espírito” das reuniões magnas de Pequim

Num encontro centrado no rescaldo das reuniões da Assembleia Nacional Popular e da Conferência Consultiva, Zheng Xiaosong insistiu na necessidade de reforçar a educação para aumentar o conhecimento sobre a Constituição chinesa. Para atingir esse objectivo, o director do Gabinete de Ligação do Governo Central entende que os cidadãos da RAEM devem “respeitar a liderança do Partido”. Na mesma ocasião, Edmund Ho defendeu o fim do limite de mandatos do Presidente chinês e elogiou a coragem de Xi Jinping para assumir as responsabilidades

 

Viviana Chan

 

Ao intervir na “sessão de transmissão e aprendizagem do espírito de Duas Reuniões da Assembleia Nacional Popular (ANP) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC)”, o director do Gabinete da Ligação sublinhou ontem que Macau tem de respeitar o Partido Comunista da China (PCC).

Perante representantes de diversos sectores da sociedade, Zheng Xiaosong reiterou que a Constituição da China deve ser alvo de maior promoção em Macau. Reconhecendo que a Lei Básica é conhecida de forma geral, mostrou-se insatisfeito com a falta de educação para aumentar a consciencialização da Constituição.

“É essencial perceber a relação da Constituição com a Lei Básica”, disse o director, avisando ainda que, para elevar o conhecimento da Constituição, os cidadãos de Macau “devem reconhecer e respeitar primeiro a liderança do Partido Comunista da China”.

Relativamente ao fim dos mandatos do Presidente da China, lamentou aquilo que classificou como informação difamatória e criticou o facto de algumas interpretações, além de incorrectas, serem “muito irresponsáveis”. Nesse sentido, Zheng Xiaosong solicitou aos participantes para clarificarem a informação sobre essa matéria.

No mesmo evento esteve presente o vice-presidente da CCPPC, Edmund Ho, que defendeu a revisão constitucional da China, sobretudo o fim do limite de mandatos do Presidente chinês. Edmund Ho disse que o momento da revisão foi oportuno, sendo “favorável à estabilidade a longo prazo” da China.

“Do ponto da vista das necessidades do Estado, se fosse preciso um líder [não especificou um nome] cumprir três mandatos como Presidente do partido, mas a sua continuação estivesse condicionada por causa deste limite… poderia causar grandes perdas [para o país]. Pessoalmente, acredito que a intenção de Xi Jinping não é ser Presidente por mais mandatos. Se ele estivesse preocupado com a sua fama no futuro, não iria ter tanta determinação na tomada desta decisão”, disse o antigo Chefe do Executivo da RAEM.

No mesmo discurso e sem tirar os olhos da audiência, Edmund Ho mostrou admiração pela forte determinação e coragem de Xi Jinping para assumir as responsabilidades. “Acham que Xi Jinping não sabe que as pessoas falam mal dele e dizem que quer ser imperador ou presidente para vida?”, questionou, acrescentando que a reputação do Presidente fica para outros comentarem, porque o mais importante é não deixar que o limite de mandatos do presidente do Estado afecte o futuro da nação.

Edmund Ho abordou ainda a questão da liderança do Partido, indicando que, muitas vezes, a imprensa ocidental enfatiza a liderança do Governo Central, quando na realidade quem lidera o Governo é o partido.

Além disso, desvalorizou a ideia de partidos democráticos estrangeiros, porque a seu ver nenhum deles poderia fazer tantas reformas.

 

Prioridade ao desenvolvimento

Por sua vez, o Chefe do Executivo considerou as alterações constitucionais como “fundamentais” e assegurou que vai adoptar uma atitude mais proactiva na implementação do espírito das duas reuniões.

Chui Sai On salientou que tanto o Governo como todos os sectores da sociedade devem unir esforços para enriquecer e aperfeiçoar a aplicação do princípio “Um País, Dois Sistemas” em Macau, tendo em consideração a realidade local.

Indicando que o território deve “trabalhar mais activamente e assumir as novas missões com coragem e com forte sentido de responsabilidade”, Chui Sai On frisou que importa concentrar esforços na promoção do desenvolvimento, que é a primeira prioridade.

Por outro lado, referiu que se deve aprender com o passado e planear activamente o futuro da RAEM, tendo como princípio orientador o Pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas na nova era.