A empresa do Canídromo pediu para que os galgos fossem considerados propriedade do Governo. Invocando a Lei de Protecção dos Animais, diz-se impossibilitada de criar os mais de 500 galgos pelo que queria entregá-los ao IACM. O organismo rejeitou o pedido da Yat Yuen, cujo comportamento classifica como irresponsável e condenável
Liane Ferreira
A Companhia de Corrida de Galgos (Yat Yuen) apresentou um novo plano à Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), mas que envolve novamente o Instituto dos Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Na missiva, a empresa propunha que os galgos passassem a ser propriedade do Governo, alegando que os galgos poderiam ser entregues ao IACM, ao abrigo do 17º da Lei de Protecção dos Animais, relativo ao “Procedimento em caso de impossibilidade de criação de animais”.
Segundo esse artigo, “o proprietário do animal, que não o possa criar ou transferir para outrem, pode entregá-lo ao IACM, mediante o pagamento de um montante fixo correspondente às despesas de alimentação e alojamento”. De acordo com o Canal Macau, a Yat Yuen ofereceu mil patacas de pagamento por cada cão.
Em comunicado, o IACM afirma taxativamente que a recolocação dos cães é uma obrigação e responsabilidade dos proprietários e de empresas de grande dimensão, como é o caso da Yat Yuen.
O IACM reiterou que os galgos não fazem parte do património que reverterá para a RAEM quando a concessão terminar, como foi explicado na quarta-feira.
Além disso, segundo o Instituto, a 22 de Janeiro deste ano foi enviado outro ofício à empresa, de um total de 16, sublinhando que o artigo 17 não era aplicável. Assim, o IACM não vislumbra qualquer motivo imprevisível que tornasse inevitável o abandono de mais de 500 galgos.
Caso sejam encontrados cães ao abandono no Canídromo, o IACM garante que irá agir de acordo com a Lei dos Animais e aplicar uma multa, bem como assegurar que todos os galgos reformados tenham os cuidados apropriados.
Segundo o comunicado, a Yat Yuen tem vindo a adiar a relocalização dos cães, criando incertezas sobre o tratamento dos animais e gerando preocupações e problemas na comunidade. Para o Instituto, ao empresa do Canídromo teve um comportamento irresponsável e condenável ao empurrar a sua responsabilidade para o Governo e a sociedade.
Entretanto, Angela Leong, administradora da Yat Yuen, revelou ter submetido mais um pedido ao Governo, desta vez no sentido de que os funcionários do Canídromo possam continuar a “proteger os galgos”. De acordo com o “Ou Mun Tin Toi”, Angela Leong rejeitou revelar se já tem uma resposta da Administração, referindo apenas que hoje deverá avançar com essa informação.
A responsável salientou que a equipa da Yat Yuen e os advogados estão em comunicação com diferentes serviços do Governo, em busca de um final feliz para assegurar o emprego dos trabalhadores. Além disso, asseverou que quer proteger sempre os galgos e nunca desistiu do futuro deles.



