Dezenas de trabalhadores do Canídromo tentaram ir trabalhar no sábado, mas as suas intenções saíram goradas. Com as instalações já na posse da Administração da RAEM, resta-lhes agora resolver a situação com a empresa. Por sua vez, a Yat Yuen garante que os 129 funcionários poderão escolher esta semana um novo local de trabalho, no centro de recrutamento da SJM

 

Liane Ferreira e Viviana Chan

 

Alegando que a Companhia de Corrida de Galgos (Yat Yuen) lhes tinha dado indicações para se manterem em funções para tratar dos galgos, dezenas de trabalhadores da empresa tentaram entrar no Canídromo para trabalhar no sábado, no entanto, com as instalações já sob a tutela da Administração, foram impedidos de entrar. Deputados e responsáveis dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) estiveram no local a prestar apoio, tendo a empresa, entretanto, emitido um comunicado garantindo que irá pagar indemnizações ou oferecer novos postos de trabalho.

Ella Lei e Leong Sun Iok, deputados e membros da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), estiveram no Canídromo, onde sublinharam o facto dos funcionários estarem preocupados com o futuro, porque a empresa não dialogou com eles sobre o encerramento do espaço.

Criticando o comportamento da Yat Yuen, que classificou como muito irresponsável, Ella Lei lamentou que os trabalhadores apenas tenham sido informados através de um comunicado. A deputada exigiu ainda que o Governo adicione uma nova cláusula nos contratos de concessão de exploração de jogo, para melhor assegurar o interesse dos trabalhadores.

Ainda no sábado, já depois da confusão matinal à porta do Canídromo, Yat Yuen emitiu um comunicado, onde promete pagar indemnizações aos trabalhadores, de acordo com a lei laboral. Ao mesmo tempo, assegurou que vai prestar apoio para que sejam colocados noutros departamentos da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Sociedade de Lotarias e Apostas Mútuas de Macau ou no Jockey Club.

Na nota de imprensa, a Yat Yuen asseverou já ter chegado a acordo com essas empresas com vista à transferência dos trabalhadores, indicando que, entre hoje e sexta-feira, poderão descolocar-se ao centro de recrutamento da SJM para escolherem um emprego. Segundo a empresa, estão disponíveis mais de 300 vagas a tempo inteiro e parcial.

Para além disso, a companhia referiu que o Grand Lisboa Palace necessitará de cerca de 8.000 trabalhadores e os funcionários da Yat Yuen terão prioridade de escolha para trabalhar no empreendimento que a SJM está a erguer no COTAI.

“Cumprindo o espírito do Doutor Stanley Ho, que considera os trabalhadores como recursos preciosos de uma empresa, o Canídromo vai apoiar ao máximo e tentar assegurar o emprego e interesse dos funcionários, cumprindo a responsabilidade da empresa”, salientou.

 

DSAL lembra obrigações da empresa

Em comunicado, a DSAL corroborou as declarações da empresa, dizendo que recebeu a mesma informação. Serão atribuídas compensações, de acordo com a lei, bem como providenciadas “oportunidades de conjugação de emprego” noutras companhias do grupo empresarial.

O organismo refere ainda que a companhia também deve providenciar acções de formação profissional apropriadas aos que receberam as compensações, para salvaguardar os seus direitos e interesses e permitir o regresso ao mercado laboral.

Por sua vez, em declarações aos jornalistas, o Secretário para a Economia e Finanças garantiu que a DSAL tem vindo a acompanhar a situação dos trabalhadores, tentando recolher informações junto da companhia. Além disso, frisou que, em casos de compensação ou demissão, devem ser cumpridos os diplomas legais.

Lionel Leong assegurou que aquele organismo está atento e também tem procurado ajudar os trabalhadores que precisem de emprego. Neste sentido, foi criada uma linha aberta para pedidos de informação ou esclarecimentos desses funcionários relativamente aos seus direitos.