Raymond Tam renovou o contrato de arrendamento do terreno do Wynn Palace, para acomodar a construção da futura torre hoteleira “The Enclave”. Segundo um despacho do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, o prazo do contrato foi estendido até 2037 e custou mais de 652 milhões de patacas. A nova concessão prevê também a construção de um anfiteatro e de um centro de convenções
PEDRO MILHEIRÃO
O Secretário para os Transportes e Obras Públicas aprovou a expansão do Wynn Palace no âmbito da construção da torre hoteleira “The Enclave”. De acordo com um despacho de Raymond Tam publicado ontem em Boletim Oficial, foi revista a concessão do terreno do Wynn Palace, para a “ampliação do complexo afectado à finalidade hoteleira nele existente”.
O contrato foi prolongado até 2037 e custou mais de 652 milhões de patacas à Wynn, num pagamento único efectuado à RAEM, bem como uma caução adicional de 9,48 milhões equivalente à renda anual.
Recorde-se que em Maio deste ano, Craig Billings, director executivo da Wynn Resorts, tinha anunciado a construção de um novo empreendimento, sob o nome “The Enclave”, que adicionará 432 suítes à oferta hoteleira do resort situado no COTAI, sem, contudo, novas instalações destinadas ao jogo. O responsável tinha antecipado um investimento situado entre os 900 e 950 milhões de dólares americanos, que equivaliam entre 7,2 e 7,6 mil milhões de patacas.
De acordo com o despacho, “em 17 de Janeiro de 2025, foi apresentando um novo estudo prévio a prever a ampliação do complexo do Palácio Wynn e a construção de uma nova torre hoteleira”. Ainda em Outubro de 2023, a sociedade Palo Real Desenvolvimento Imobiliário tinha submetido à Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) “um pedido de autorização de alteração parcial da concessão e modificação do aproveitamento do terreno”, pode ler-se.
Para além da DSSCU, a Direcção dos Serviços de Finanças e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos não suscitaram qualquer objecção ao pedido, “desde que a área do casino permaneça inalterada”, refere o despacho. Além disso, a DSSCU considerou que o pedido reunia “condições para ser autorizado, por não se vislumbrar colisão entre o projecto de ampliação e os motivos que justificaram a dispensa de concurso público inicialmente concedida, favorecendo aquele projecto o desenvolvimento da RAEM na diversificação das ofertas turísticas”.
A Palo Real Desenvolvimento Imobiliário dispõe agora de cinco anos para executar o projecto. A área bruta destinada a fins hoteleiros aumentou 17,6%, de 454 mil para 534 mil metros quadrados, sendo que passam também a estar incluídos um anfiteatro e um centro de convenções. Por outro lado, a reconfiguração do terreno implicará uma redução da área livre e do estacionamento.
“O Wynn Palace está essencialmente lotado todas as noites”, justificou na altura Craig Billings, tendo acrescentado que “quando se está a uma taxa de ocupação de 99%, adicionar quartos não é uma aposta especulativa, está-se a captar uma procura já existente e que estamos claramente a afastar”.
Billings também tinha assegurado que, em termos estéticos, o “Enclave” será um empreendimento “complementar” ao resort existente. “Não é o mesmo, nem é uma separação radical que o faria parecer como outra marca”, acautelou, dizendo ainda que “o design é distintamente Wynn, uma evolução da linguagem de design que definiu os nossos resorts desde o início”.
O aumento do número de quartos do resort em 25% e das suítes em 50% conduzirá mais tráfego para o casino e para os estabelecimentos de restauração do Wynn Palace, segundo o director executivo. Ademais, por já se encontrar directamente ligada ao resort, a torre não terá “um elemento de jogo” e contará com uma oferta de comidas e bebidas “muito modesta”.



