Steve Wynn está satisfeito e optimista com o desempenho dos seus empreendimentos no território, sublinhando que tem muita confiança em continuar a actividade em Macau após o fim do prazo da actual licença, devido ao “feedback” das conversações com o Governo. “Fomos encorajados a apresentar os nossos planos para a segunda fase” de desenvolvimento, revelou o CEO da operadora. No último trimestre de 2017, a Wynn Macau quase triplicou os lucros, impulsionada pelos excelentes resultados do seu resort no COTAI

 

Inês Almeida e Sérgio Terra

 

O mercado de Macau “ainda só está a tocar uma pequena percentagem do seu potencial total”, por isso, à medida que os hotéis ganham aceitação do público, verificam-se mudanças importantes, sublinhou Steve Wynn, expressando a sua confiança no investimento no território.

“Em conversações, também fomos encorajados pelo Governo a apresentar os nossos planos para a 2ª fase, em que estamos a trabalhar neste momento. Na realidade, toda a gente de Macau [da empresa] está aqui [em Las Vegas] para sessões de design esta semana”. “Por isso, Ian [Coughlan] está comigo em vez de falar através do telefone, da China, para desenvolver os nossos 4,45 hectares no lote adjacente no norte e sul do actual terreno no Cotai”, disse o CEO da Wynn Resorts, na conferência telefónica com analistas sobre os resultados financeiros da empresa.

A intenção, explicou Steve Wynn, é “criar uma estrutura principalmente ligada ao sector não-jogo”. “Não estamos a falar de muitos quartos, mas de algumas centenas, de grande escala”. “Cada quarto é especial, dispõe de varandas, espaços exteriores e experiências que, do ponto de vista do cliente, são dignos de uma fantasia”. “Estamos a pegar num enclave de quartos especiais acompanhado de infra-estruturas de restauração que são experimentais” na indústria hoteleira, adiantou.

“E garanto: sei exactamente que caminho estamos a seguir. Não há no mundo um lugar tão acertado para este projecto como Macau. É a oportunidade de uma vida criar” o novo complexo, frisou Steve Wynn, destacando que este projecto também dará aos clientes a possibilidade de jogar.

O empresário sublinhou ainda a importância do desenvolvimento da área onde se encontra o Wynn Palace. “O Metro Ligeiro passa por dois lados da nossa propriedade e pára no meio, mesmo junto à estação das gôndolas, e depois temos os empreendimentos da SJM e MGM. Todas estas coisas são muito boas para nós”.

Sustentando a sua crença no progresso do sector no território, Steve Wynn deixa um conselho: “Se pudesse dizer algo de construtivo seria isto: se alguém estiver interessado em ingressar na indústria do jogo não aposte contra Macau, pois ficará a perder dinheiro”.

Em relação a desenvolvimentos futuros, sobretudo tendo em conta a aproximação do fim do prazo das licenças de jogo, Steve Wynn diz estar a aguardar instruções do Executivo. “No calendário de 2018 haverá indicações específicas porque a licença de uma das concessionárias expira em 2020, pelo menos no papel”. No entanto, sublinha: “Temos muita confiança e razões para ter confiança de que o nosso negócio continuará depois de expirar a concessão inicial”. “A confiança é baseada nas conversas que tivemos com o Governo”, especificou.

“A única coisa que o Governo Central fez com a transferência de soberania foi apoiar a cidade na sua indústria principal e nas suas raízes de todas as formas possíveis”, por isso, “a prosperidade é absoluta”, realçou ainda.

De qualquer forma, frisou, a Wynn Macau continua a apostar em determinados segmentos de mercado. “Adoro o nicho que ocupamos. Estamos confortáveis porque já temos décadas de experiência”.

Questionado sobre o investimento no sector não-jogo, o empresário sustentou que o “aumento normal das mesas de jogo vai permitir ter o equipamento necessário”. “O nosso negócio não depende de milhares de mesas, mas da qualidade dos clientes e vamos utilizar os nossos empreendimentos para lhes mostrar coisas novas”.

Além disso, prometeu maior envolvimento na comunidade local. “A ideia de que a população local beneficia, tanto pelas oportunidades de carreira como pelo dinheiro que advém da indústria e pela qualidade de vida, é um tema recorrente em Macau e já reconhecemos isso”.

 

Wynn Palace impulsiona resultados

Os lucros líquidos da Wynn Resorts no quarto trimestre de 2017 fixaram-se em 491,7 milhões de dólares americanos, contra 113,8 milhões no período homólogo de 2016. A melhoria foi atribuída às operações em Macau e à reforma fiscal nos EUA que beneficiou a empresa em 339,9 milhões, valor que representa uma estimativa e pode ser ajustado nos próximos exercícios.

Por sua vez, a Wynn Macau registou lucros líquidos de 179,23 milhões de dólares, ou seja, 1,44 mil milhões de patacas, quase o triplo dos 46,6 milhões de dólares obtidos nos últimos três meses de 2016.

Os resultados foram impulsionados sobretudo pelo Wynn Palace que registou receitas líquidas na ordem dos 693,4 milhões de dólares nos últimos três meses do ano, mais 65,6% em termos homólogos. O EBITDA ajustado (resultados antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) foi de 190,1 milhões, representando um aumento de 145,3%.

As receitas do casino do Wynn Palace subiram 73,8% para 648,6 milhões de dólares americanos. O volume de apostas nas mesas VIP do casino inaugurado em 2016 ascendeu a 16,23 mil milhões de dólares, mais 57,1%, com uma taxa de retenção de 3,02%. No caso do mercado de massas, o valor das apostas fixou-se em 1,12 mil milhões (mais 55,1%), com receitas de 264 milhões (mais 65,7%) e uma taxa de retenção de 23,5%. As “slot-machines” registaram um acréscimo de 96,2% nas receitas, ascendendo a 55 milhões.

Por sua vez, o hotel-casino Wynn Macau gerou receitas líquidas de 618,6 milhões de dólares, mais 24,1% que nos últimos três meses de 2016. O EBITDA ajustado cifrou-se em 186 milhões, mais 25%.

As receitas do casino tiveram um aumento semelhante, de 25,3%, para 582,9 milhões. As mesas VIP do hotel-casino na Península atraíram um volume de apostas de 15,62 mil milhões de dólares (mais 44,7%), com uma taxa de retenção de 2,89%. Já no mercado de passas, as apostas totalizaram 1,25 mil milhões (mais 14,1%), gerando receitas de 230,1 milhões (mais 18,6%) e uma taxa de retenção de 18,4%. As receitas das “slots” fixarem-se em 40,8 milhões, o que representa um aumento de 25,3%.

 

Projectado quarto hotel em Las Vegas

O grupo Wynn Resorts planeia construir o seu quarto hotel em Las Vegas num lote que adquiriu em Dezembro por 336 milhões de dólares, revelou o seu presidente. Disponibilizando cerca de 2.500 quartos, o novo empreendimento ficará ligado aos hotéis Wynn e Encore por um “corredor umbilical com ar condicionado”, adiantou Steve Wynn, na conferência telefónica com analistas para análise dos resultados financeiros de 2017. A empresa também está a construir o Paradise Park, “resort” com centro de convenções e lago, por trás dos actuais hotéis. “Os hotéis são extremamente lucrativos (…) Com as nossas tarifas, operamos margens de 50 a 60 por cento nos hotéis, por isso quero adicionar mais quartos”, justificou o magnata.