No ano passado, 30% dos voos que partiram de Macau descolaram com atraso, indicou a Autoridade de Aviação Civil de Macau a este jornal, o que se traduz numa melhoria anual de três pontos percentuais, se considerarmos que, em 2024, 34% das aeronaves saíram da RAEM fora do horário previsto. Na comparação anual, o número de actos ilícitos registados pela AACM também caiu, de 12 para cinco. De 2017 a 2025, 65 dos 72 actos ilícitos anotados estiveram relacionados com a violação da proibição de fumar a bordo

 

PEDRO MILHEIRÃO

Entre 2017 e 2025, a taxa média de voos comerciais que partiram de Macau sem atrasos foi de 72%. No ano passado, 30% dos voos saíram atrasados, o que representa uma ligeira melhoria face a 2024, uma vez que nesse ano 34% das aeronaves descolaram com atraso. “Em 2024 e 2025, devido ao impacto da frequente ocorrência de ciclones tropicais e de condições meteorológicas extremas na região, as taxas de pontualidade nestes dois anos foram de 66% e 70%, respectivamente”, justificou a Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

Por outro lado, no primeiro trimestre deste ano, 26% das ligações aéreas sofreram atrasos, três pontos percentuais acima da média registada na comparação homóloga.

Os dados analisados pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU também indicam que 2020 foi o ano em que as companhias aéreas registaram a melhor pontualidade desde 2017, com 80% dos voos a saírem a horas. Em Janeiro de 2020, a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) tinha anunciado a implementação do sistema “Airport Coordinated Integrated Decision (A-CDM)”, que iria permitir “maximizar a utilização dos recursos existentes e reduzir atrasos nos voos”.

Além disso, esse ano coincidiu com o início da pandemia da Covid-19, que afectou significativamente o número de voos que aterraram e descolaram no Aeroporto Internacional de Macau (AIM). “Entre 2020 e 2022, devido ao impacto da implementação de medidas restritivas às entradas e saídas, o volume de voos situou-se em níveis extremamente baixos”, explicou a AACM.

Em 2019, a CAM reportou um recorde de 77.581 aterragens e descolagens no AIM, ao passo que no ano seguinte esse número caiu abruptamente para 16.962.

Em 2021, o número de aeronaves que chegaram e partiram de Macau voltou a cair, para 15.791, com uma taxa anual média de pontualidade de 78%, a segunda maior desde 2017. Por outro lado, de acordo com dados da CAM, apesar de o número de voos ter voltado a cair no ano seguinte, para 13.642, o valor mais baixo registado desde 1997, a pontualidade dos aviões voltou a piorar, sendo que apenas 73% das aeronaves descolaram a horas em 2022.

Já em 2023, “com a recuperação gradual da indústria de transporte aéreo, a taxa de pontualidade das partidas de voos atingiu 75%”, de acordo com a AACM.

Questionada sobre as principais causas dos atrasos dos voos, a AACM respondeu que, de acordo com dados do AIM e das companhias aéreas, “os atrasos dos voos com partida em Macau são causados, principalmente, pelas condições meteorológicas em Macau, nos destinos e nas rotas de cruzeiro, bem como pelos efeitos em cadeia de atrasos subsequentes provocados por condições meteorológicas”. “Além disso, parte dos atrasos é influenciada por avarias técnicas nas aeronaves, controlo de tráfego e fluxo aéreos, entre outros factores”, rematou.

 

Actos ilícitos a bordo diminuíram em 2025

De 2017 a 2025, a AACM registou 72 actos ilícitos cometidos a bordo, sendo que a vasta maioria estava relacionada com passageiros a fumar (65). Apenas um acto ilegal esteve relacionado com o uso de dispositivos electrónicos portáteis quando a utilização era proibida, sendo que o episódio remonta a 2017. Além disso, os passageiros desobedeceram a instruções do comandante da aeronave por seis ocasiões nesse intervalo de tempo.

“Nos últimos cinco anos, a AACM recebeu, em média, 5,6 casos de infracções relacionadas com fumar a bordo de aviões anualmente”. “Em 2025, registaram-se apenas cinco casos”, acrescentou a AACM, todos relativas ao acto de fumar dentro do avião e correspondentes a menos de metade do total das ilegalidades anotadas no ano anterior (12).

Em 2025 foi registado o nível mais baixo de ocorrências, se excluirmos o período entre 2020 e 2022, em que foram registados números de voos excepcionalmente baixos. Nesses três anos combinados, houve apenas quatro actos ilícitos, todos relacionados com a violação da interdição de fumar a bordo.

O ano de 2019 foi aquele em que foram registadas mais violações de proibições, com 14 situações de fumo na aeronave e três desobediências às ordens do comandante.

“Para reforçar a sensibilização jurídica, a Air Macau utiliza anúncios a bordo e acende a luz indicadora ‘Proibido Fumar’, a fim de advertir os passageiros para cumprirem as regras”, observou a entidade reguladora, que também produziu, há alguns anos, um curto vídeo que relacionava “a proibição de fumar e transportar isqueiros em aeronaves”. O organismo tem também “cooperado de forma contínua com o AIM, realizando acções de divulgação e educação através de ecrãs digitais no aeroporto, com vista a reforçar a consciência dos passageiros para o cumprimento da lei, com recurso a métodos suaves”, indicou.

 

Movimentos de jactos executivos cresceram um quinto

No último ano, o Aeroporto de Macau registou 1.121 de movimentos de jactos executivos, representando uma subida anual de 20%, revelou a Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) a este jornal. Contudo, este valor continuou bem aquém do número assinalado em 2019, o ano pré-pandemia, quando a AACM reportou 2.694 movimentos de jactos de classe executiva. Em Outubro do ano passado, foi contabilizado o número mensal mais alto de movimentos de aeronaves executivas desde o início da pandemia (158). Entre 2020 e 2022, foram anotados apenas 684 movimentos de jactos executivos. Contudo, “com a recuperação gradual do sector do turismo e da indústria de transporte aéreo em Macau desde 2023, os negócios ligados a voos charter comerciais e privados também voltaram a uma trajectória de recuperação. O número de descolagens e aterragens passou de 813 em 2023”, referiu a AACM, assinalando uma recuperação anual de 803%. Nos primeiros três meses deste ano, foram registados 320 movimentos, correspondentes a um aumento homólogo de 18%.