O funcionamento dos transportes públicos do território dominou o período de antes da ordem do dia da sessão plenária da Assembleia Legislativa com alguns deputados a exigirem melhorias no sistema. Manifestaram também preocupações com a formação dos motoristas de autocarro, depois do recente acidente fatal e de situações semelhantes com consequências menos graves
Inês Almeida
Só Zheng Anting proferiu as palavras exactas, mas muitos deputados aproveitaram o período antes da ordem do dia da reunião plenária de ontem para passar uma mensagem ao Executivo: “Não queremos mais nenhum acidente rodoviário”. “Os motoristas travam os autocarros com brusquidão, resultando em ferimentos nos passageiros e a atitude dos condutores não é a melhor. O acidente mortal que ocorreu na Rua de Francisco Xavier Pereira voltou a suscitar a atenção da população quanto à qualidade e segurança rodoviária”.
O deputado defende que, para evitar situações semelhantes aos recentes acidentes, o Executivo “tem de estudar o regime de gestão das empresas de autocarros, nomeadamente elevar a qualidade dos condutores e definir, racionalmente, os itinerários para salvaguardar que tenham descansos suficiente e evitar acidentes”.
Ao mesmo tempo, “há que realizar periodicamente acções de formação contínua para os condutores em efectividade, elevando as suas técnicas de condução e comportamento”. “Atendendo à complexidade do ambiente rodoviário, mesmo que tenham carta de condução para veículos pesados, há que elevar as exigências das técnicas de condução e de experiência dos que trabalham em regime de part-time”, destacou Zheng Anting.
Além disso, o Executivo tem de “criar um ambiente propício para as concessionárias” atraírem jovens para a profissão, “garantindo um número suficiente de condutores” e, assim, poder ajustar a frequência dos autocarros, os itinerários e os turnos de condutores.
Song Pek Kei mostrou-se preocupada com o mesmo problema defendendo que o recente acidente mortal “fez soar, mais uma vez, o alarme em relação aos transportes públicos”.
“O acidente de autocarro deveu-se principalmente à falta de recursos humanos, para além das deficiências do regime de trabalho a tempo parcial” Mais, o funcionamento do Metro Ligeiro está atrasado e os sistemas pedonais também não conseguem surtir efeitos, o que acarreta grandes riscos para o trânsito”.
Já Mak Soi Kun justifica os acidentes com “a fraca consciência sobre segurança, a falta de habilidade e de formação profissional sistematizada dos motoristas”. “Espero que o Governo tire os devidos ensinamentos deste acidente de viação fatal, e que crie, o quanto antes, critérios de avaliação objectivos e científicos para a formação de motoristas de pesados, especialmente os de autocarros de grandes dimensões”.
O mais importante, defende, é “concretizar o regime de carteira profissional para que os diferentes motoristas portadores de carta de condução de pesados só possam conduzir depois de obterem a carteira profissional”. “O facto de ter carta de pesados não significa domínio das técnicas de segurança, portanto, devem passar por formação e, só depois de aprovados no exame e de obtido o certificado, é que devem poder trabalhar”.
Mak Soi Kun vai mais longe e refere que “entrou em circulação um autocarro com 18 metros e, se os motoristas o conduzissem sem formação, seria uma bomba ambulante nas vias públicas e uma ameaça para a vida e bens da população”.
Por sua vez, Wu Chou Kit propôs medidas como a implementação de um “Sistema avançado de travagem de emergência” e um sistema de travão automático, a reavaliação das passadeiras e semáforos, o reforço da cooperação entre as empresas e autocarros e a redução da quilometragem desnecessária dos veículos, permitindo o estacionamento provisório dos autocarros com maior número de carreiras nos locais próximos das paragens, se para tal houver condições.



