Vários jovens do Camboja e de Macau discutiram formas de alargar o leque de oportunidades no âmbito da política nacional “Uma Faixa, Uma Rota”. De um modo geral, ficou patente que o contributo da comunidade juvenil dos dois lados é importante para o crescimento da cooperação. Neste contexto, Chui Sai On anunciou que está aberta a porta para que os jovens cambojanos terminem os seus estudos no território

 

Dezasseis representantes das comunidades jovens de Macau e do Camboja, de vários quadrantes de especialização, partilharam experiências, abordaram oportunidades de cooperação e trocaram impressões sobre o futuro desenvolvimento no quadro da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. Esta foi a primeira actividade oficial no âmbito da visita da delegação de Macau, chefiada pelo Chefe do Executivo, ao Camboja – país com quem a China mantém relações diplomáticas desde 1958.

João Ma (à esq) e Mok Chi Wai

Na abertura da sessão, Chui Sai On manifestou a vontade de que momentos de encontro deste género levem à promoção do “intercâmbio e amizade” para que os jovens “demonstrem vitalidade e criatividade, a fim de aprofundar a cooperação”. Anunciou, neste âmbito, o lançamento de um programa de bolsas de estudo que permitirá aos jovens do Camboja terminarem os seus estudos em instituições de ensino da RAEM.

Entre os oradores do território, estiveram membros do Programa “Mil Talentos” – projecto criado no ano passado pelo Governo de Macau que tem por objectivo formar três mil jovens incutindo-lhes uma visão mais abrangente para que melhorem as suas qualidades globais. Sendo esta a primeira vez que os membros do “Mil Talentos” acompanham o líder do Governo numa visita oficial, Chui Sai On frisou, inclusive, que os “peritos e líderes dos jovens chineses ultramarinos poderão empenhar-se em ser uma ponte e impulsionar a cooperação”.

De um modo geral, foi transversal a ideia de que há espaço para fortalecer a relação bilateral no contexto da iniciativa nacional, com os jovens a terem um importante contributo para oferecer.

Para Mok Chi Wai, presidente da Federação de Juventude de Macau, este encontro figurou como uma “óptima oportunidade” para que os “jovens profissionais se possam associar a projectos do Camboja”. “É a minha segunda vez no Camboja, e sei que o sector turístico do país está a ‘explodir’. Talvez os profissionais possam fazer algo tendo em conta a sua área de conhecimento, por isso, sugeri que se crie um programa de intercâmbio bilateral no âmbito das indústrias hoteleira e turística”, frisou, aos jornalistas, à margem da mesa redonda.

Neste contexto, o também empresário na área da construção, acredita que os jovens do território podem “fazer mais para promover Macau e a China aos locais do Camboja”. “Incentivamos sempre os jovens de Macau a visitarem o exterior e o Camboja é um bom destino. A indústria turística está a crescer e talvez os jovens experientes em gestão hoteleira possam tirar partido de oportunidades de emprego no Camboja, ao passo que os jovens empresários podem também ajudar o país na construção de novas infra-estruturas”, rematou.

 

Compreender para vencer

Já João Ma, presidente da Empresa de Investimentos “Marlin”, retirou deste contacto directo com os jovens cambojanos a ideia de que é necessário “compreender e acreditar” no projecto nacional “Uma Faixa, Uma Rota” e, a partir daí, “investir nas diferentes áreas”. Por outro lado, sendo o Camboja uma das nações mais jovens da Ásia, olha para esta singularidade como uma mais-valia. “Cerca de 70% da população do Camboja tem menos de 30 anos, o que é fabuloso. Os jovens têm também boas ideias e é uma óptima oportunidade para eles experimentarem algo novo. Acredito que Macau seria um excelente ponto de partida”, concluiu João Ma.

Ademais, ficou patente que as duas comunidades jovens têm sabido “aproveitar a cultura para impulsionar a cooperação como uma mais-valia, demonstrando a profundidade da cooperação entre os dois territórios”. Isso mesmo frisou Lam Kam Seng, membro do Conselho Executivo de Macau, para quem os actuais “jovens líderes são muito pragmáticos, conseguem dar opiniões e sugestões correspondendo às necessidades, nomeadamente educação, formação e planeamento de carreiras”.

Já Chan Chak Mo realçou a “boa amizade e relações próximas entre os jovens de Macau e do Camboja”. Na qualidade de também membro do Conselho Executivo, notou que a política “Uma Faixa, Uma Rota” tem, por si só, traçado também um caminho de “crescimento e amizade” entre o território e o Camboja. Neste contexto, Chan Chak Mo entende haver “uma vontade comum para promover a cooperação com benefícios e ganhos mútuos, e ainda construir um caminho para todos com a iniciativa”.

Chhay Sinat

Por sua vez, Chhay Sinat, director-geral de uma empresa de consultadoria de negócios e investimentos do Camboja, considerou o encontro com a delegação de Macau “muito importante” e, através dele, espera “estabelecer oportunidades para criar parcerias de negócio”. “O Camboja tem o seu sector turístico em desenvolvimento pelo que há aqui um ponto de conexão com Macau, cujo turismo é uma grande parte da economia. Tendo em conta que sou também responsável por uma empresa turística, penso que posso estabelecer contactos com possíveis parceiros de Macau e, a partir daí, conjugar os dois sectores”, explicou.

Manifestando o desejo antigo de conhecer o território, o empresário acredita que a “longa relação histórica” com Macau é um grande ponto de partida para que “esta importante amizade permita a construção de um caminho juntos”.

Entre convites feitos para que os jovens cambojanos visitem Macau, foi também manifestada a ideia de que as duas partes podem tirar partido das suas características e marcas gastronómicas. Do lado do Camboja, outros representantes reconheceram que a mesa redonda criou condições para criar amizades e cooperação entre os presentes, impulsionando novas trocas entre os jovens de Macau e daquele país.

Frisaram também que a participação na política criada por Xi Jinping “abriu portas para muitos negócios”, “criou oportunidades de emprego” e estimulou, apoiando também financeiramente, a construção de novas e importantes infra-estruturas ao longo de todo o território.

Entre várias personalidades de ambas as partes, a mesa redonda contou com a participação de 150 pessoas, incluindo, o embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da China no Reino da Camboja, Xiong Bo, a Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, e outros membros do Conselho como Leonel Alves.

No âmbito do programa oficial, os representantes dos jovens do território irão hoje participar numa sessão de apresentação sobre o turismo e ambiente de investimento de Macau, numa actividade organizada pelos Serviços de Turismo da RAEM.

 

C.A.