Apesar das suas despesas terem crescido mais de 16% em 2017, os visitantes mostraram-se menos agradados com a maior parte dos serviços da RAEM. As quebras nos níveis de satisfação foram mais notórias nas categorias das agências de viagens e espaços de jogo

 

Ao longo do ano passado, registaram-se quedas nas proporções de satisfação dos visitantes na maioria dos serviços, equipamentos e instalações, apesar da média continuar a ser positiva em todas as categorias. De acordo com os comentários recolhidos, a maior descida verificou-se nos serviços das agências de viagens, com a percentagem de satisfação a recuar 14,6 pontos para 70,7% no intervalo de um ano, seguindo-se os estabelecimentos de jogo, com uma quebra de 10,3 pontos para 73,9%.

Segundo dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), no cômputo geral de 2017, as taxas de satisfação mais elevadas foram atribuídas aos hotéis e similares (85,9%), higiene ambiental (77,9%) e lojas (76,9%), que, no entanto, também sofreram decréscimos de 4,2, 4,0 e 7,4 pontos percentuais, respectivamente. A tendência decrescente estendeu-se aos serviços dos restaurantes e similares (73,1%) e transportes públicos (64,6%), com descidas de 5,5 e 4,8 pontos.

As instalações e equipamentos públicos (73,6%) e pontos turísticos (53%) foram as únicas categorias a merecer comentários mais positivos do que em 2016, traduzindo acréscimos de 2,7 e 8,2 pontos.

Do total de visitantes inquiridos, 53,3% apontaram o gozo de férias como a principal razão da vinda a Macau e 14,3% disseram estar apenas de passagem. Já as compras (8%), o jogo (5,4%) e a participação em convenções e exposições (0,9%) surgem em posições secundárias na lista de motivações.

Embora menos satisfeitos com Macau, os visitantes abriram mais os cordões à bolsa: a despesa total (excluindo no jogo) cresceu 16,4% para 61,32 mil milhões de patacas, face a 2016. De acordo com a DSEC, a despesa total dos turistas atingiu 49,75 mil milhões (+18,2%) e a dos excursionistas 11,57 mil milhões (+9,5%).

Em 2017 a despesa “per capita” dos visitantes foi estimada em 1.880 patacas (mais 10,5%), com acréscimos de 7,6% nos gastos dos turistas (2.883 patacas) e de 8,7% dos excursionistas (754 patacas). No caso dos visitantes da China Continental (2.203 patacas), a subida situou-se em 11,6%, sendo que os portadores de visto individual (2.486 patacas) gastaram mais 10%.

Também aumentaram as despesas dos visitantes de Singapura (1.848 patacas), Malásia (1.762) e Japão (1.744), compensando descidas nos mercados da Austrália (1.429 patacas), EUA (1.236) e Reino Unido (1.195).

Os mesmos dados indicam ainda que a despesa “per capita” em compras (855 patacas) subiu 14,9%, incindindo principalmente em alimentos/doces (252 patacas) e cosméticos/perfumes (230), enquanto os gastos com alojamento e alimentação situaram-se em 485 e 392 patacas, respectivamente.

Os visitantes que vieram participar em convenções/exposições  gastaram 3.456 patacas “per capita”, ou seja mais 28% do que em 2016. Já os que vieram fazer compras e passar férias gastaram mais 6,5% e 11,3% respectivamente, com despesas de 2.571 e 2.508 patacas.

 

DST garante apostar mais na qualidade do que quantidade

Confrontada com o facto de muitos turistas acharem que Macau não tem pontos turísticos suficientes, a directora dos Serviços de Turismo (DST) defendeu que Macau é pequeno e o Governo tem vindo a promover novos elementos. Maria Helena de Senna Fernandes salientou que não se pode esperar um grande aumento do número de pontos turísticos, devendo-se apostar mais na melhoria da qualidade dos já existentes. Para além disso, entende que o crescimento dos visitantes fez aumentar o “stress” dos funcionários da linha da frente nos serviços do sector. Por outro lado, garantiu que durante o festival do Ano Novo Chinês, não recebeu queixas sobre cobranças abusivas de hotéis.

 

R.C.