A visita de Sam Hou Fai a Portugal alcançou “resultados positivos”, os quais corresponderam às expectativas, disse o Chefe do Executivo aos jornalistas. Em jeito de balanço, e no dia em que se encontrou com as mais altas figuras do Estado português, o líder da RAEM manifestou a firme convicção de que “a cooperação entre Macau e Portugal alcançará novo patamar”, frisando que o território “continuará a potenciar o seu valor único, contribuindo de forma ainda mais significativa para o desenvolvimento da parceria estratégica global entre a China e Portugal”

 

CATARINA PEREIRA*

 

Naquele que foi o último dia de Sam Hou Fai em Portugal, e que foi também o ponto alto da visita, uma vez que se encontrou com as mais altas figuras do Estado português, o Chefe do Executivo traçou um balanço positivo, antes de ter partido para Madrid, no âmbito da viagem à Europa. “Esta visita permitiu aprofundar a amizade e alargar a cooperação pragmática, tendo alcançado resultados positivos e correspondentes aos objectivos previstos”, afirmou.

Segundo destacou, esta foi a primeira vez em quase 27 anos, após a transferência de soberania, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”.

O líder do Governo de Macau, que chegou sábado a Lisboa, reuniu-se com o Presidente da República, António José Seguro, o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, e ainda vários ministros. Aos jornalistas, disse que os quatro dirigentes portugueses “reconheceram o papel importante de Macau na parceria estratégica entre a China e Portugal”.

Sam Hou Fai acrescentou depois que ambas as partes concordaram ser necessário aprofundar continuamente as trocas e a cooperação entre Macau e Portugal em múltiplos domínios, e que “as perspectivas serão ainda mais promissoras para a colaboração entre ambos”.

De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina.

Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou.

Na ocasião, Sam Hou Fai sublinhou que, durante esta visita a Portugal, foram assinados 61 acordos de cooperação, abrangendo áreas como a plataforma sino-portuguesa, comércio e economia, tecnologia de ponta, turismo, educação, big health, convenções, exposições e comércio e de cultura e desporto.

Garantiu ainda que, após o regresso a Macau, irá impulsionar a concretização progressiva desses projectos de cooperação, exigindo aos serviços competentes que detalhem as tarefas, no sentido de assegurar que estes projectos avancem conforme o planeado e sejam efectivamente concretizados. Ao mesmo tempo, revelou ainda que o Governo vai criar uma plataforma de comunicação para as empresas de Macau e do Interior da China, aproveitando os resultados desta visita a Portugal.

Quanto ao ensino e à difusão da língua portuguesa, Sam Hou Fai apontou que o número de escolas que oferecem cursos de Português e a percentagem de jovens locais que aprendem a língua de Camões “atingiu actualmente o nível mais elevado de sempre na história da RAEM, o qual merece o reconhecimento das autoridades portuguesas”, que esperam também que o Governo da RAEM “continue a prestar forte apoio neste sentido”.

No geral, o Chefe manifestou a firme convicção de que “a cooperação entre Macau e Portugal alcançará novo patamar, e Macau continuará a potenciar o seu valor único, contribuindo de forma ainda mais significativa para o desenvolvimento da parceria estratégica global entre a China e Portugal”.

 

*Com Lusa