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Os resultados das eleições na Novo Macau desagradaram à escritora e antiga jornalista Virgínia Cheang Mio San que teme que o registo “moderado” que caracterizou a associação no passado possa desaparecer. Cheang, que também é membro da associação, considera que a nova direcção, cujos elementos pertencem a outras organizações, como a Consciência de Macau, pode vir a assumir uma postura mais radical, “condicionando ainda mais” os dois deputados e fundadores Au Kam San e Ng Kuok Cheong. Para Sou Ka Hou, novo presidente, as críticas “não fazem sentido”

 

Viviana Chan

 

Após a eleição da nova direcção da Novo Macau não demorou muito para que se voltassem a manifestar as divergências no seio do grupo. Virgínia Cheang Mio San, membro da Associação Novo Macau (ANM) e esposa do fundador Au Kam San, divulgou uma mensagem nas redes sociais onde critica os membros da nova direcção e onde defende que a associação sofre actualmente de “dupla personalidade”.

Em causa está o facto de os três elementos que compõem a nova direcção – Sulu Sou Ka Hou, Bill Chou e Scott Chiang – serem ao mesmo tempo membros de outras organizações como a “Consciência Macau”, “Open Macau”e a “Juventude Dinâmica”. “Às vezes é a Consciência de Macau que se sobrepõe à Novo Macau, outras é a Juventude de Dinâmica”, escreveu Virgínia Cheang.

Considerando que a situação tende a “piorar mais” no futuro, a antiga jornalista teme que o estilo de actuação da Novo Macau acabe por ficar “sequestrado” e que a margem de actuação dos dois deputados da associação seja “ainda mais condicionada”.

Ao JTM, Au Kam San confirmou ter receios em relação  a uma possível “múltipla identidade” da nova direcção. O deputado e fundador da ANM acrescentou, no entanto, que a nova direcção precisa de tempo “para se adaptar”.

Sou Ka Hou, o novo líder, entende que as críticas “não fazem sentido, acreditando que as outras organizações poderão vir a “complementar” o trabalho que é feito pela Novo Macau. O presidente da Novo Macau assume a vontade de protagonizar uma mudança de estilo na associação que diz “não poder manter-se igual”.

“Precisamos de mais força para lutar”, refere, sublinhando que a ANM é uma organização aberta e tolerante, onde cabem vários tipos de actividades desde que respeitam o espírito da associação. Sulu defende, no entanto que a associação não se deve centrar nessas questões, procurando ao invés “ser mais unida”.

Jason Chao rejeita a palavra “radical” utilizada por Virgínia Cheang para caracterizar a nova geração da Novo Macau e prefere apelidar os membros mais jovens de “progressistas”. “E não há mal nenhum em haver opiniões distintas”, refere.

Em relação ao referendo sobre o sufrágio universal, que está a ser organizado pela Consciência de Macau, Au Kam San revelou que esta ideia já tinha sido discutida na ANM e mostra-se favorável à iniciativa. Sulu Sou acrescenta que a Novo Macau foi convidada para participar na organização do referendo, no entanto, a decisão final ainda não foi tomada.