Nos primeiros cinco meses deste ano, o Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui de Macau recebeu 1.254 pedidos de ajuda através da linha aberta 24 horas, o que significa um aumento anual de 17%. Para a directora do Centro de Aconselhamento sobre o Jogo e de Apoio à Família de Sheng Kung Hui, os problemas de jogo “já deixaram de ser situações isoladas”, convertendo-se gradualmente num “fenómeno social comum”
Entre Janeiro e Maio deste ano, o Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui de Macau recebeu 1.254 pedidos de ajuda através da “Linha aberta de 24 horas e serviços de aconselhamento online para apoios contra o vício do jogo”. O número traduz num aumento de 17% comparativamente ao registado no período homólogo do ano passado.
Lao Mei I, coordenadora daquele serviço, revelou ainda que 31% dos solicitantes de ajuda são jovens com idade igual ou inferior a 35 anos. Por outro lado, notou que 14% dessas pessoas participam em apostas desportivas.
Por sua vez, citada pelo jornal “Ou Mun”, Wu Wai Han, directora do Centro de Aconselhamento sobre o Jogo e de Apoio à Família de Sheng Kung Hui – Família Afectuosa e Solidária, realçou que, desde a abertura há 15 anos, o centro recebeu mais de 1.400 pedidos de apoio relacionados com o jogo. Olhando para os dados contabilizados entre 2021 e 2025, a responsável revelou que 440 casos chegaram ao centro de aconselhamento nesse período, reflectindo que, em média, o centro contabilizou anualmente cerca de 90 novos pedidos de ajuda ligados a problemas de jogo.
Pela sua observação, os problemas de jogo “já deixaram de ser situações isoladas”, tendo-se tornado “gradualmente num fenómeno social comum”. Entre os casos acompanhados pelo centro, mais de 70% envolviam dívidas, maioritariamente entre mais de 100 mil e 250 mil patacas. Por outro lado, nalguns casos, as pessoas em causa viviam com dívidas superiores a um milhão de patacas.
“Finanças” superam “entretenimento”
Além disso, a mesma responsável avisou que o principal motivo que levam as pessoas afectadas pelo distúrbio do jogo a jogar ou a repetir esses actos passou a intenção de “resolver dificuldades financeiras”. Antes, a causa dominante era o “entretenimento”.
Por outro lado, Lao Mei I apontou que, de acordo com dados do Sistema de Registo Central dos Indivíduos afectados pelo Distúrbio do Vício do Jogo, nos últimos cinco anos, o solicitante de ajuda mais jovem tinha apenas 15 anos.
Com o arranque do Mundial de Futebol, as duas responsáveis sugeriram às famílias locais que reduzam as informações sobre o jogo expostas aos jovens e adolescentes, apagando mesmo aplicações móveis relacionadas com apostas. Ao mesmo tempo, os pais devem incentivar os filhos a fazer caminhadas, jogos de tabuleiro ou assistir a filmes, defenderam ainda.
Alertando que o Mundial de Futebol é propenso a catalisar a psicologia de jogo, Lao Mei I e Wu Wai Han apelaram ao público que esteja atento às alterações no comportamento dos familiares ou amigos, para identificar, “o mais cedo possível”, os sinais do distúrbio do jogo.



