O Centro Hospitalar Conde de São Januário lida com uma média mensal de três a quatro casos de distúrbios associados a jogos electrónicos. Até ao momento, o nível de vício em videojogos em Macau é aparentemente mais baixo do que nas regiões vizinhas
Rima Cui
A Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a classificar o vício em videojogos como um distúrbio de saúde mental, no entanto, existem preocupações de que a “etiqueta” possa abalar a vontade de pedir apoio para resolver o problema.
Kuok Cheong U, director do Centro Hospitalar Conde de São Januário, referiu que o hospital tem tratado três a quatro casos do género por mês, todos relacionados com crianças, adolescentes e jovens.
Estes casos ainda não foram confirmados como situações de “distúrbio com videojogos”, já que podem também ser comportamentos ligados a dificuldades no desenvolvimento mental e no convívio social das crianças. “É preciso estudar os padrões para diagnosticar crianças ou jovens com este vício com jogos electrónicos”, afirmou.
Segundo o “Ou Mun Tin Toi”, questionado sobre a necessidade de aumento do pessoal no serviço de psiquiatria, o director do hospital público apontou que, para dar resposta ao funcionamento do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, as autoridades já prepararam recursos humanos suficientes para cada serviço, afastando assim preocupações.
Sobre a mesma matéria, Chan Chin Hong, director do serviço de psiquiatria de crianças e jovens dos Serviços de Saúde (SSM), acredita que ainda este ano, a OMS vai divulgar as normas e padrões a serem seguidos pelas autoridades da RAEM com um ligeiro ajustamento.
Todos os casos registados nos últimos três anos pelos SSM envolveram menores, sendo que o mais novo frequentava o 1º ano do ensino primário. Em todas as situações, as crianças não conseguiam concentrar-se durante as aulas ou períodos de estudo.
Em declarações ao jornal “Ou Mun”, o responsável indicou que, embora os dados do hospital apontem para uma percentagem do vício com videojogos menor em Macau do que nas regiões vizinhas, poderá haver casos escondidos.
Por sua vez, para o chefe do Departamento de Solidariedade Social do Instituto de Acção Social, para além de ajudar o sector médico a ter orientações no tratamento deste problema, a decisão da OMS serve também para alertar a sociedade para o impacto do vício dos jogos electrónicos.
Mesmo assim, Choi Sio Un advertiu que os pais não devem ser demasiado sensíveis, nem criticar ou colocar “etiquetas” nas crianças ou jovens com esse problema. Na sua opinião, caso o jogador consiga controlar as horas que despende nessa actividade, o jogo também pode servir como forma de convívio e entretenimento.



