Au Kam San voltou a exigir a medida de “auto-exclusão” para os trabalhadores dos casinos. Na sua opinião, o impacto negativo do sector do jogo está a afectar cada vez mais a população de Macau e sublinha a gravidade do vício de jogo entre os trabalhadores dos casinos. O deputado entende que o bem-estar dos trabalhadores está dependente das medidas do Governo
O deputado da Associação Novo Macau lembra que o pedido de “auto-exclusão” dos trabalhadores de casino não é uma novidade em Macau, mas com o crescimento do número de recursos humanos nesta área, os problemas que enfrentam tornaram-se cada vez mais graves.
Au Kam San indicou, numa interpelação escrita, que o grupo de trabalhadores de casinos não pára de crescer e o seu bem-estar tem merecido muita atenção no seio da sociedade. Porém, o deputado adverte que muitos apelos e pedidos da sociedade não foram respondidos pelo Governo, e um caso deste género sucedeu até na Assembleia Legislativa, quando foi pedida a extinção das zonas para fumadores e o Hemiciclo não aceitou. “Às vezes, estes apelos geram efeitos opostos”, disse o deputado.
Lembrou ainda que a administradora-delegada da Sociedade de Jogos de Macau, Angela Leong, mais do que uma vez manifestou apoio à lei anti-tabagismo para que esta fosse aplicada nos casinos e apelou à extinção das zonas de fumadores nos casinos. “Não vejo uma reacção positiva do Governo”, criticou Au Kam San.
Na questão do interesse e bem-estar destes trabalhadores, o deputado acredita que “o Governo tem receios”. A medida de “auto-exclusão” para proibir que os trabalhadores de casino joguem, foi uma ideia já falada durante a elaboração do diploma sobre o “condicionamento da entrada, do trabalho e do jogo nos casinos” em 2012.
Au Kam San considera que o Governo não mostrou vontade de trabalhar nesta matéria, exemplificando que segundo os resultados dos estudos, há uma taxa elevada de viciados no jogo entre os trabalhadores de casinos. Também referiu que muitas notícias veiculadas no território indicam que alguns crimes envolvendo funcionários do Jogo sucedem devido à natureza deste emprego. Além disso, recorda-se que na altura o Governo rejeitou aceitar a sugestão dos deputados sobre a “auto-exclusão”, já que o Executivo considera que “pode afectar os direitos humanos”.
Na mesma interpelação escrita, Au Kam San disse que a indústria do jogo está numa posição dominante em Macau, mas, ao mesmo tempo, os dados mostram que os trabalhadores deste sector são vulneráveis aos impactos negativos do jogo. Nesse contexto, considera que há uma necessidade “séria” de discutir a questão e sugere que os casinos de Macau possam fazer acordos para limitar a entrada dos trabalhadores de casinos antes da revisão da lei. Mas, “isso depende da vontade dos casinos”, frisou.
V.C.




