A associação “Somos” inaugura hoje a exposição fotográfica “Viagem Oriental”. Mais do que fotografias são um “espreitar” para o interior de casas senhoriais goesas, onde as porcelanas de Macau continuam a marcar presença. À TRIBUNA DE MACAU, Marta Pereira, da associação organizadora, sublinha tratar-se de um projecto de divulgação da herança cultural de um intercâmbio histórico

 

Liane Ferreira

 

O pavilhão Chun Chou Tong no Jardim Lou Lim Ioc vai receber entre hoje e 18 de Outubro a exposição fotográfica “Viagem Oriental”, fruto da ideia de Nalini Elvino de Sousa da “Somos – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa”.

“Nalini Elvino de Sousa é a correspondente da ‘Somos’ em Goa e, em conversa, surgiu a oportunidade de vir a Macau, uma vez que as 20 fotografias que vamos expor estão relacionadas com o que defendemos, que são as relações entre os países de língua e cultura portuguesa e a China”, começou por explicar Marta Pereira, presidente da associação.

As fotografias mostram uma série de colecções de porcelana de Macau, que habitam em casas goesas. “Este tipo de objectos ajuda de certa forma a divulgar a herança deste intercâmbio cultural entre ambas as regiões”, sublinhou.

Nalini Elvino de Sousa teve a ideia a partir dos serviços de chá e outras peças guardadas em “lugar de honra nas casas senhoriais” e para isso foi organizado um concurso fotográfico que abriu as portas dessas casas aos fotógrafos. As 20 imagens seleccionadas figuram num livro, que é também um levantamento dessas peças decorativas de Macau.

A 14 de Outubro pelas 17 horas será realizada uma tertúlia. Ambas as iniciativas são organizadas em parceira com o Núcleo de Animação Cultural de Goa, Damão e Diu. “Não podemos agir isolados”, frisou Marta Pereira, adiantando que entre o público estarão macaenses e goeses para debater as relações entre as duas regiões e as “pontes a serem forjadas”.

Sobre a “Somos”, Marta Pereira conta que derivou de uma ideia que teve em Portugal, “numa altura em que achava que todos tínhamos uma história para contar”. Depois, em Macau, percebeu que ela própria tinha uma história ligada à diáspora para partilhar e a ideia foi ajustada e estendida aos países de língua e cultura portuguesa.

“Macau também tem feito uma forte aposta neste sentido por isso fazia todo o sentido implementar este projecto”, afirmou, acrescentando que foi criado um website “onde cada pessoa pode participar falando da cultura, das histórias e contexto social” dos seus países e regiões. A associação foi o passo seguinte.

Para Março de 2019 está já programada uma exposição que vai resultar de um concurso internacional de fotografia, lançado até ao final do ano, e relacionado com as redes lusófonas.