FOTO JTM/ARQUIVO
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A intenção do IACM de proibir as bancas dos mercados de estarem fechadas mais de três dias consecutivos indignou vários vendedores, que criticam a medida por ser “egoísta” e “demasiado exigente”. Para os vendilhões, maioritariamente  da terceira idade, a apresentação de um plano de gestão para concorrer às bancas é difícil de concretizar e além disso, se tiverem de apresentar preços elevados, os custos teriam de ser assumidos pelos consumidores

 

Rima Cui

 

Chan, vendilhão de uma banca de vegetais no Mercado Municipal de Iao Hon, diz-se insatisfeito com a sugestão do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) de proibir que as bancas dos mercados fechem por mais de três dias consecutivos. Na sua opinião, a medida é demasiado exigente e, uma “impossibilidade” com que ninguém vai concordar.

Esse mercado tem agora 50 bancas de venda de vegetais e entre 47 e 48 estão todos os dias de portas abertas. Porém, na perspectiva de Chan, o facto da maioria trabalhar não significa que o IACM deve limitar o número mínimo dos dias de operação.

“É verdade que há bancas que trabalham menos dias, mas o Governo deve tratar o assunto consoante as situações, em vez de matar tudo de uma vez”, salientou ao jornal “Ou Mun”.

Além disso, o IACM propõe a substituição do sorteio pela apresentação de preços e um plano de operação como forma de concurso à banca. Chan considerou ser absurdo obrigar a maioria dos vendilhões de vegetais, que são idosos e têm um nível de conhecimentos limitado, a fazer planos de gestão.

“Os vendilhões não vão conseguir concorrer às bancas através de preços altos. Senão, os custos extra recairão nos consumidores”, defendeu.

Outro vendedor de vegetais contestou também o limite sobre os dias de encerramento das bancas, considerando que se trata de “uma regra egoísta”. “Os negócios dos mercados têm sido roubados pelos supermercados, temos pouco lucro”, sustentou.

O mesmo vendilhão referiu que trabalha há décadas no mercado e já chegou à terceira idade, continuando a ter de trabalhar mais de 10 horas por dia, para ganhar menos de 30 patacas por hora. Lamentando as sugestões do IACM, o idoso disse que poderá ter de deixar esse trabalho por não conseguir habituar-se às novas regras.

Segundo Ella Lei, para além dos problemas referidos, muitos vendilhões têm dúvidas em relação à licença. A proposta fixa um prazo de contrato de três anos e a possibilidade de renovar apenas uma vez para os novos inquilinos. Para a deputada, esse modelo pode criar uma situação de monopólio. “Por outro lado, para os vendedores que se esforçam muito na operação e não cometem irregularidades, a necessidade de devolver a licença em seis anos significa que não há nenhum mecanismo que garanta os direitos das bancas que operam bem”, sublinhou.

Além disso, Ella Lei entende que o prazo de dois anos para a transferência de licença tem de ser prolongado, sendo que o Governo deve ponderar as razões históricas, concedendo mais tempo aos antigos vendilhões para concluir esse processo.