“Lake Constance”, da equipa WYC, foi liderada pelo “skipper” Albert Diesch
“Lake Constance”, da equipa WYC, foi liderada pelo “skipper” Albert Diesch

A embarcação do “skipper” Albert Diesch foi a mais regular ao longo dos quatro dias da Regata Internacional da RAEM, que incluiu também uma classe para veleiros da Grande Baía. O fraco vento foi o inimigo da organização

 

Vítor Rebelo*

 

Macau recebeu a prova pela primeira vez e este pode ter sido o início de um bom cartaz internacional da modalidade, a par de outros grandes eventos fixos, como já acontece, por exemplo, com o Grande Prémio e a Maratona, que igualmente podem ser incluídos nas promoções turísticas do território.

A Regata, já com alguma dimensão, apesar de se tratar de uma estreia no território, trouxe a Macau cerca de 300 velejadores, mostrando que a orla marítima da RAEM tem condições para receber este tipo de desportos náuticos, ainda que seja necessário apostar em mais marinas, para que se torne possível atracar as embarcações.

Desta feita foi a Doca dos Pescadores a constituir o ponto de partida e chegada dos veleiros, chamando a atenção dos residentes e não só, uma vez que é raro Macau ter a possibilidade de “mostrar” embarcações deste género, de cerca de 40 pés de comprimento.

Em termos puramente competitivos, a vitória na Taça Macau (“Macau International Cup”), destinada a barcos da classe Beneteau First 40.7, pertenceu ao veleiro de nome “Lake Constance” da equipa WYC, liderada pelo “skipper” Albert Diesch, que chegou pela primeira vez ao comando na penúltima jornada, no sábado.

Os germânicos terminaram a regata com 24 pontos de penalização nas oito rondas, contra 28 do segundo classificado, o “Marenostrum”, do francês Lionel Péan, um dos mais credenciados velejadores presentes em Macau.

O gaulês venceu em 1986 a famosa “Whitebread”, actualmente designada de “Volvo Ocean Race”.

Na terceira posição da Taça de Macau ficou o “skipper” filipino Jesus Avecilla, com o “Subic”.

Para além das equipas que terminaram no pódio, vários outros países estiveram representados nesta regata, nomeadamente República Popular da China, Austrália, Canadá, Estónia, Japão, Rússia e Singapura.

 

Ventos fracos prejudicaram a prova

O grande obstáculo para que a regata não tivesse decorrido com o interesse que se esperava foi a falta de vento, situação habitual nesta altura do ano, concretamente no mês de Janeiro, o que provocou nevoeiro e tirou brilho à prova, provocando várias “paragens” dos barcos nas águas a sul da Praia de Hac Sá. Será um aspecto a ponderar nas organizações futuras, sendo talvez preferível realizar a Regata noutras alturas do ano em que o vento é mais forte, proporcionando um espectáculo mais interessante, não só para os próprios velejadores, como para os espectadores em geral.

No que diz respeito à Regata da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, do Grupo IRC, a embarcação de Macau “Wan Boo Fish” (que tem apenas um velejador do território), cujo líder é Hong Xiaoluo, foi a mais regular, totalizando 12 pontos de penalização, seguida pelo barco de Hong Kong, “BLU”, de Alan Cheung, e de outro representante da RAEM, “Sugram Seamo”, do “skipper” Jingsheng Zhong.

 

Oportunidade para desenvolver os desportos náuticos

As duas regatas foram organizadas pelo Instituto do Desporto, que custeou cerca de 6 milhões do total do orçamento (20 milhões) e pela Gestão de Eventos em Navegações dos Quatro Oceanos, com o apoio da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água e da Associação de Vela de Macau.

“Macau tem aqui uma boa oportunidade para desenvolver a modalidade e aproveitar o nosso lindo mar. É um bom início para promover este evento e, através da regata, promover também Macau. Antigamente era mais difícil organizar mais eventos de desportos náuticos. Agora estamos a começar e esta regata foi preparada com algum tempo de antecedência, com ajuda de vários departamentos. Macau tem de facto condições para receber regatas deste género e é isso que queremos continuar a fazer no futuro”, salientou See Lei, responsável pelos Grandes Eventos do Instituto do Desporto.

Christine Lam, vice-presidente do Instituto do Desporto, já havia referido, no decorrer da conferência de imprensa de apresentação dos velejadores convidados, que “o evento pretende levar os desportos náuticos de Macau a um nível internacional”.

A Regata Internacional de Macau contou também com uma parada de vela, na qual participaram, não só as embarcações inscritas nas duas provas de veleiros, como outros pequenos barcos à vela, pertencentes às classes que integram o calendário local da modalidade.

Os barcos passaram pela Doca dos Pescadores, Torre de Macau e Centro de Ciência, resultando numa boa oportunidade para os residentes e amantes da vela, apreciarem estas embarcações, algumas das quais têm já na sua história, passagens por competições de prestígio mundial, como são os casos da “Volvo Ocean Race” ou a Sydney-Hobart.

 

* Jornalista