Rita Gomes, conhecida pelo pseudónimo “Wasted Rita” está em Macau para participar na exposição “Alter Ego”. Lançado o desafio de abordar o tema da globalização, a artista decidiu focar-se no tema do existencialismo, algo que já lhe é familiar, numa instalação que ganha a forma de uma loja de lembranças em que cada um dos objectos passa uma mensagem muito específica

 

Um balcão com uma máquina registadora, “néons” brilhantes, cabides onde estarão penduradas t-shirts. Assim, uma das Casas-Museu da Taipa transforma-se em loja de lembranças para falar de globalização e existencialismo. “O que quis fazer foi juntar três coisas que são globais e acontecem em todo o mundo: lojas de lembranças, existencialismo e lojas de cultura tipo ‘Supreme’ e esse tipo de marcas que as pessoas mais jovens possam ter algum desejo por”, explicou Rita Gomes à TRIBUNA DE MACAU.

“Estou a fazer uma instalação de uma loja falsa com t-shirts, produtos falsos, uma máquina de brindes, sacos também falsos, tendo existencialismo, ansiedade e todos esses sentimentos como tema principal”, acrescentou a artista que trabalha sob o pseudónimo “Wasted Rita”. Da máquina podem obter-se prendas como “canecas, capas de telemóvel, bonés ou isqueiros” sempre com mensagens associadas ao tema.

A opção por abordar a questão do existencialismo teve a ver com o facto de a artista só abordar temas que conhece. “Acho que ultimamente sou muito influenciada por séries, filmes e música do quotidiano, mas não só. Só vivendo e sentindo coisas que acho que toda a gente sente e tentando abusar disso posso tentar criar a partir daí uma forma de estar melhor”, explicou.

Um dos temas que por norma inspira Rita Gomes é a questão do assédio verbal nas ruas. “A primeira coisa que me veio à cabeça foi sair de casa e ter homens a dizer-me coisas, é algo que me enoja e me inspira muito e em Portugal é uma coisa que acontece todos os dias a qualquer mulher que saia à rua”, frisou. Há ainda “coisas banais como condescendência, homens que explicam coisas que não se lhes pediu que explicassem”.

É a primeira passagem da artista pela RAEM. Embora, por norma, prefira nem ter expectativas relativamente à reacção do público, Rita Gomes sublinha que uma questão mais “problemática” podem ser as referências à cultura “pop” uma vez que pode não ser familiar para a população. “Por ser tão baseado em texto também pode não ser tão perceptível”, admitiu.

De qualquer modo, expor em Macau “é super entusiasmante”. “Estou a acordar todos os dias às cinco da manhã, mas nem é uma coisa que faço com muito esforço, é uma coisa que faço com prazer para ter trabalhos bons para apresentar. Por outro lado, também quero estar fora, absorver e ver tudo”.

O percurso artístico de Rita Gomes começou há quase cinco anos, quando a “Underdogs” a convidou para a primeira exposição. “Na verdade já fazia bastantes exposições na Europa mas eram coisas mais pequenas, com muito pouco dinheiro e depois Alexandre Farto viu o meu trabalho online, gostou, convidou-me para uma exposição colectiva na ‘Underdogs’, os meus trabalhos venderam muito bem, então, convidaram-me para uma a solo”, contou a artista.

Depois da passagem pela RAEM, Rita Gomes vai trabalhar com uma marca de vinhos japonesa para a qual está a fazer rótulos para novos produtos. “Também tenho uma exposição ao ar livre no Super Bock Super Rock e depois talvez tenha algo em Moscovo”, avançou, embora não seja garantida a sua presença dado o trabalho pensado para lá ser “demasiado político”.

A mostra dedicada à globalização, parte integrante da exposição “Alter Ego”, conta ainda com a participação de Guilherme Gafi, do Brasil e é inaugurada na segunda-feira.

 

I.A.