Gonçalo Lobo Pinheiro vai participar novamente na iniciativa “Uma Imagem Solidária”, cujos fundos arrecadados pela venda de fotografias vão ser doados à Acreditar. Uma actividade que, espera o artista, mostre o espírito social de quem por vezes se vê obrigado pela profissão a captar imagens de contextos difíceis

 

Salomé Fernandes*

 

Mais de 100 fotógrafos participam na segunda edição de “Uma Imagem Solidária”, que pretende angariar fundos através da venda de fotografias. É coordenada pelos fotojornalistas António Cotrim e Paulo Guerrinha, e o fotógrafo Carlos Almeida. A iniciativa angariou no ano passado cerca de 9.000 euros em donativos para os Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pêra, voltando este ano para apoiar a Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro.

A exposição das fotografias é inaugurada quinta-feira, no Museu das Comunicações, em Lisboa, e está disponível ao público até à segunda-feira seguinte. Este ano conta com a estilista Fátima Lopes como embaixadora. Gonçalo Lobo Pinheiro é um dos nomes que se ergue de entre os profissionais participantes como Mário Cruz, Patrícia Melo Moreira, Rodrigo Cabrita, Leonardo Negrão, António Homem Cardoso, Rui Palha e Rui Caria.

Gonçalo Lobo Pinheiro, sediado em Macau espera que a iniciativa tenha continuidade, até para “ajudar a desmistificar algumas ideias que foram criadas nomeadamente em relação aos fotojornalistas e aos fotógrafos profissionais”, disse à TRIBUNA DE MACAU. Considera que foi criada uma imagem errónea de que os fotojornalistas esperam “que aconteça o mal para ir fotografar”.

“Às vezes vamos para zonas de catástrofe, sofremos com isso, os acontecimentos também nos tocam. Mas somos profissionais, estamos ali em trabalho. É bom que as pessoas entendam que temos uma profissão, que somos pagos para a exercer, o que não quer dizer que do ponto de vista ético sejamos indiferentes, que depois de fazer algum trabalho não possamos meter a câmara de lado e ajudar pessoas”, sublinhou.

“Uma Imagem Solidária” pode assim cumprir o papel de mostrar às pessoas que “ninguém gosta do mal alheio mas temos de reportar notícias, e esta iniciativa também é para mostrar que não somos carniceiros, somos pessoas com sentimentos e estamos aqui prontos para ajudar a comunidade”, indicou Gonçalo Lobo Pinheiro.

A humanidade dos profissionais que participam na exposição reflecte-se nas causas que apoiam. Variadas. Solidárias. No ano passado a motivação do apoio aos bombeiros resultou da vontade de apoiar as vítimas dos incêndios em Portugal. “Quanto à Acreditar tive alguns familiares de perto que tiveram problemas relacionados com cancro. É natural que isso me toque um pouco, nunca se indiferente a esse tipo de questões por isso aqui estarei para ajudar”, disse o fotógrafo.

A base de partida para cada fotografia é de 20 euros, cabendo depois ao público decidir se quer dar esse valor pela imagem, ou mais. O montante arrecadado será entregue na íntegra à Acreditar no dia 1 de Junho. Apesar de as fotografias terem tema livre, “convém que tenham o mínimo de qualidade e sejam bonitas até para as pessoas comprarem e ficarem com uma boa recordação em casa”.

Desta vez, os nomes dos autores permanecem ocultos e as pessoas só descobrem qual é o fotógrafo depois de efectuarem a compra. Gonçalo Lobo Pinheiro acredita, apesar de não ter questionado a organização sobre isso, que a decisão resultou de querer que as pessoas comprem a fotografia por gostarem dela, e não pelo nome que a acompanha.

 

*com Lusa