Quem visita a exposição “Aprofundar” no “Tak Chun Macao Art Garden” nestes dias quentes de Verão tem a oportunidade de acompanhar a visita pela pelas obras de Cai Guo Jie, Eugénio Novikoff Sales, Nick Tai, Peng Yun, Wong Weng Io, Zhang Ke com um gelado. A iniciativa é de entrada gratuita, sendo de destacar o livro medieval da história de amor de Camões e a chinesa Dinamene no “Livro de Dinamene” de Zhang Ke
Liane Ferreira
Até 9 de Setembro decorre no “Tak Chun Macao Art Garden” uma das vertentes da exposição de arte anual entre a China e os Países de Língua Portuguesa. “Aprofundar” reúne os artistas Cai Guo Jie, Eugénio Novikoff Sales, Nick Tai, Peng Yun, Wong Weng Io, Zhang Ke numa mostra conjunta, com curadoria de James Chu. Mas, para ajudar na luta contra os dias quentes de Verão e maximizar o apelo da exposição, o evento também inclui um gelado.
Tanto a exposição como o gelado são gratuitos e a organização espera que os visitantes possam “saborear a arte contemporânea de Macau e a edição especial do gelado para esta exposição”.
“Livro de Dinamene” de Zhang Ke
No jardim de arte, encontra-se um quadro em papel de arroz chinês de Eugénio Novikoff Sales com a “criança africana e seu amigo dragão”, uma peça que espelha as origens do pintor de Macau, mas que cresceu em Moçambique.
Nesta exposição ligada à lusofonia destaca-se o interessante trabalho de Zhang Ke, que apresenta o “Livro de Dinamene”. Com capa de madeira e papel de algodão, numa caixa de madeira e saco de linho, é uma autêntica obra de características europeias medievais, toda feito à mão.
Com base no estudo do académico, poeta e tradutor, Yao Jingming que escreveu “A Verdade e a lenda do poeta Camões”, Zhang Ke reescreveu a história de amor entre o poeta português e uma mulher chinesa do povo Tanka, considerados os ciganos do mar, porque viviam em juncos. Entre a lenda e os poemas que Camões deixou, recriou a história num livro feito à mão, mas que mantém a tragédia final, pois Dinamene acaba por morrer num naufrágio no Rio Mekong. “Nascida do mar, no final Dinamene regressa ao mar”, referiu o artista.
Gelado e entrada são gratuitos na galeria
A mostra pluridisciplinar conta também com vídeo da autoria de Peng Yun, que de acordo com a informação da organização tentou “discutir certos tipos de contradição, transformação e indissolubilidade”. “É sobre o sonho branco de Mukeh”, diz o autor.
Ainda no tema da contemporaneidade, Wong Weng Io apresenta “The Omnipresence of Complex II”, um trabalho onde frases, diálogos de filmes, de entrevistas e pensamentos são a base de criação de uma série de imagens e mostra de caixas claras num ambiente escuro. No fundo, pretende-se examinar a influência e as dúvidas sobre os avanços tecnológicos e inteligência artificial, bem como explorar o futuro, notou a artista natural de Macau, com formação na Austrália.
De forma totalmente inesperada, Cai Guo Jie mostra ao público pinturas em formato de peças de retábulo, um elemento colocado atrás dos altares das igrejas e com enorme peso religioso.
Na sua série, que incluiu uma pintura de retábulo sobre as Ruínas de São Paulo e o Templo de Á-Ma, o artista incorpora beirais de diferentes locais culturais, colocando em foco a sua importância cultural numa peça normalmente ocidental, mas que também se assemelha a biombos chineses.
Nick Tai foca as suas pinturas em “coexistência”, porque cada um tem a sua própria história independente de outros, no entanto temos inevitavelmente de interagir e as influências acabam por entrar na nossa vida.
“Não é possível ser totalmente independente do Mundo, apenas paz e coexistência podem assegurar a harmonia social. Neste trabalho todas as peças são independentes mas ganham novos significados devido às peças à sua volta”, escreveu Nick Tai.



