O Centro Cultural de Macau recebe a partir de hoje e até domingo o espectáculo “The Way Back Home”. A peça está pensada para crianças de várias idades e é facilmente adaptada à audiência, porém, segundo referiu um dos artistas, o público-alvo ideal tem entre seis e sete anos

 

Inês Almeida

 

O teatro “Refleksion”, da Dinamarca, e o “Branar Teatar”, da Irlanda, juntaram-se para criar o espectáculo “The Way Back Home” (“O Caminho de Volta a Casa”, em Português), a partir do conto infantil com o mesmo título de Oliver Jeffers, uma peça de teatro que recorre apenas a pequenas marionetas e sons.

O espectáculo sobe ao palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) hoje às 19:30, uma das actuações adicionadas às inicialmente pensadas. Quinta-feira conta também com uma actuação extra, às 17:00, além da já agendada para as 19:30. Há ainda um espectáculo extra na sexta-feira, pelas 15:00. No mesmo dia, há sessões às 17:00 e as 19:00. No sábado e domingo a peça pode ser vista às 11:00, 15:00 e 17:00.

“A peça é baseada num conto e criámos uma actuação de ‘black theater’, que neste caso significa que as marionetas estarão iluminadas e nós vamos estar na escuridão, somos muito pouco vistos, por isso, as marionetas recebem muito mais atenção, é mais mágico. Também fazemos pequenos truques”, explicou Aapo Repo, do teatro “Refleksion”, que interpreta o papel da personagem principal.

O livro de Oliver Jeffers conta a história de um rapaz que um dia descobre um avião a hélice no seu armário e, entusiasmado com a descoberta, decide voar muito alto, até ao espaço. A milhões de quilómetros da terra, o motos começa a falhar e a tremer, o que o obriga a fazer uma arriscada manobra para pousar na lua. Aí conhece um pequeno marciano que se encontra na mesma situação.

O papel do marciano é interpretado pela irlandesa Neasa Padhraicín Ní Chuanaigh que, sobre a receptividade esperada por parte do público referiu que “as crianças são as mesmas em todo o lado”. “Já estivemos na Europa, América, Ásia, e temos a mesma reacção todas as vezes. É muito bom que [a peça] se traduza em todo o mundo. Talvez diferentes culturas se riam de partes diferentes, mas as crianças estão muito atentas o tempo todo”.

“É incrível ver que crianças um pouco por todo o mundo se riem de partes diferentes e gostam da história. Tem sido muito bom actuar”, sublinhou Aapo Repo.

Quando o espectáculo começou a ser ensaiado, estava a ser pensado para crianças mais pequenas, o que, por norma, implica uma abordagem diferente. “Quando as crianças são mais novas, tem de ser simples, claro. Quando são mais velhas, podemos envolver mais a linguagem. Para os adultos podemos ser muito exigentes. Basicamente, quanto mais pequenos são, mais claros temos de ser”, destacou o artista.

Inicialmente a actuação estava preparada para crianças entre os três os cinco anos. “Claro que as pessoas trazem crianças mais novas e também crianças mais velhas, por isso, a criar o espectáculo, surge o desafio de perceber quem é o público alvo”, apontou Neasa Padhraicín Ní Chuanaigh. “Diria que um bom público-alvo teria entre os seis e os sete anos”, acrescentou Aapo Repo.

No entanto, o público-alvo não é uma questão limitadora. “Se forem muito mais novos, vamos adaptar-nos a isso. Conseguimos fazer com que as partes assustadoras sejam muito assustadoras para algum público ou mais ligeiras com as crianças mais pequenas”, indicou Neasa Padhraicín Ní Chuanaigh.

A opção por adaptar o conto “The Way Back Home” partiu dos directores de ambas as companhias que se conheceram na Dinamarca, em 2009, onde foram também apresentados a Oliver Jeffers.

Ainda foi colocada a opção de usar alguma linguagem, no entanto, depois de algumas actuações ainda na Irlanda os artistas aperceberam-se de que isso não era viável, portanto, o espectáculo recorre apenas a sons, também eles vocais.