Um estudo desenvolvido pela FAOM e USJ apurou que um terço de 628 idosos inquiridos pondera viver, na sua velhice, numa das cidades do Interior da China integradas na Grande Baía. Mais de 80% deste grupo de idosos de Macau consideram Zhuhai como a opção ideal para viver. O estudo revelou também que 60% dos entrevistados têm rendimentos mensais inferiores a 5.000 patacas. Por outro lado, quase 50% dos inquiridos estão preocupados com o actual sistema de apoio social “ainda não aperfeiçoado” na Grande Baía
Entre Maio e Outubro deste ano, a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e a Universidade de São José (USJ) inquiriram 628 residentes com idades entre os 65 e 74 anos, com o objectivo de perceber a vontade e as necessidades da população local da terceira idade em relação à opção de passar a vida após a aposentação na Grande Baía.
De acordo com os resultados do inquérito divulgados ontem, cerca de um terço dos idosos entrevistados disse que considera a hipótese de viver, na sua velhice, numa das cidades do Interior da China integradas na região da Grande Baía. Entre este grupo de inquiridos, mais de 80% encaram Zhuhai como a opção ideal para viver.
Quanto aos inquiridos sem vontade de passar o resto de vida no outro lado da fronteira, explicaram que as suas preocupações se prendem principalmente com as diferenças no hábito de vida, os apoios sociais “ainda não aperfeiçoados” e os serviços e instalações médicos.
Segundo observou o estudo, “à medida que aumentou o rendimento pessoal, a percentagem de idosos locais entrevistados que ponderam viver na Grande Baía tendeu a subir gradualmente”. Porém, também revelou que 60% dos inquiridos têm um rendimento mensal inferior a 5.000 patacas, sendo que somente 23% destes consideram viver na Grande Baía, o que reflecte que “as condições financeiras dos inquiridos restringem significativamente a sua opção de passar o resto de vida noutro lado de fronteira”.
Tendo em conta tais resultados, a FAOM apelou à sociedade para prestar atenção a este grupo da população. Em concreto, disse esperar que, “através de políticas optimizadas e da qualidade de serviços melhorada”, os respectivos idosos possam tomar uma decisão sobre a forma de viver com dignidade e de forma feliz, de acordo com a sua situação pessoal.
Por outro lado, o estudo apurou que mais de 60% conhecem pouco as políticas e regimes jurídicos no âmbito da protecção de idosos adoptados na Grande Baía. Face a esta conclusão, a FAOM espera que o Governo da RAEM acelere a promoção do desenvolvimento do sistema de serviços transfronteiriços para idosos na Grande Baía, por forma a responder melhor às necessidades dos residentes a este respeito.
Em relação ao modelo de vida, quase 60% escolheram passar a vida em casa, enquanto 33% preferem usar cuidados comunitários para idosos. Para a FAOM, é preciso criar novos projectos-piloto de serviços para idosos em Zhuhai, destinados a residentes de Macau, para melhorar a qualidade de serviços para esta camada da população e alargar a abrangência deste tipo de apoios.
Além disso, quase 50% dos inquiridos mostraram-se preocupados com o actual sistema de apoio social “ainda não aperfeiçoado” na Grande Baía. Neste sentido, a FAOM sugeriu “serviços médicos transfronteiriços de transferência directa entre instituições médicas de Macau e de outras cidades da Grande Baía, uma linha conjunta de consulta, um mecanismo de resgate emergente e mais actividades de intercâmbio cultural”, para que os residentes que vivem na Grande Baía após a aposentação tenham acesso a canais de pedido de apoio “mais confiáveis”.



