Pelo menos um quinto da Zona A dos Novos Aterros será utilizado para arborização, com um corredor marginal e diversos jardins, indicaram ontem representantes da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. De qualquer forma, o plano apresentado gerou algumas preocupações com Rui Leão a alertar para a sua relação com a linha do Metro Ligeiro para que os espaços verdes não fiquem “subservientes” a esta. De qualquer forma, a prioridade continua a ser a habitação pública
Inês Almeida
A primeira reunião do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) deste ano começou com uma apresentação por parte da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) do plano para a Zona A dos Novos Aterros, com o Executivo a reiterar as promessas de reservar espaço para instalações de ensino não-superior na zona oeste, como creches, escolas primárias e secundarias, para instalações recreativas, desportivas, culturais e infra-estruturas de cuidados médicos. Haverá ainda um mercado.
Wu Chou Kit foi o primeiro vogal a pronunciar-se colocando questões relacionadas com o espaço reservado para as escolas, a habitação pública e ainda para a arborização. Em relação às escolas, o Executivo garantiu que o espaço ocupado por estas instalações “não é pequeno” e sublinhou que o plano completa a construção de campos desportivos e um pavilhão que serão partilhados pelas escolas e pela comunidade em geral.
No que respeita à arborização, preocupação manifestada por vários vogais do CPU, a DSSOPT foi clara. “Na Zona A vamos instalar muitos sistemas pedonais para facilitar a deslocação dos residentes e podemos lá ter vários tipos de arborização. Um quinto da área total da Zona A é reservada para esse fim, com vários jardins e um corredor marginal”, indicaram os Serviços de Obras Públicas. “A Zona A é como se fosse uma ilha e à volta há marginais e jardins. A percentagem de arborização é muito maior que na cidade antiga”.
Além disso, a DSSOPT frisa que o que está indicado na Planta de Condições Urbanísticas (PCU) é a “exigência mínima”, pelo que não se “exclui a possibilidade desta zona vir a ocupar um espaço maior”.
Ainda assim, Rui Leão advertiu para algumas questões. “Infelizmente não temos acesso à memória descritiva do plano, que é um documento que refere as prioridades do plano. Não tendo isso a nosso dispor, parece que o plano se limita ao critério de loteamento, mas uma cidade não é feita só de loteamento”, alertou o arquitecto.
Justificando a sua afirmação, o vogal do CPU apontou a situação dos espaços verdes. “Vejo uma série de espaços que acho que são verdes, os corredores que atravessam a Zona A de Norte a Sul. Isto parece uma solução interessante e importante, como forma de distribuir a densidade e qualificação do espaço urbano, porque senão cria-se uma cidade que é muito precária e pouco qualificada”.
Além disso, defendeu o arquitecto, o espaço verde será apenas “útil e praticável se não tiver a linha de Metro” nas proximidades. “Senão vai ser subserviente à infra-estrutura do Metro”.
A segunda questão prende-se com o espaço central que surge como “muito importante para a Zona A”, embora falte informação para o comprovar. “Neste corredor de Norte a Sul reparo que não há nenhuma galeria pública nos lotes. Ou seja, as galerias cobertas de atravessamento dos quarteirões só estão ao longo das ruas onde estão os carros. Isto põe em risco estes espaços verdes. Se o espaço verde está alinhado com traseiras, ele não pode ser qualificado”, avisou o arquitecto.
Assim, Rui Leão sugere que se criem “galerias viradas para estes corredores, sobretudo o central, porque esta é uma intenção muito forte para ser transformada numa gigantesca traseira”.
Prioridade à habitação
Embora a arborização tenha estado no centro das preocupações dos vogais, para o Executivo a prioridade continua a ser a habitação. “O que precisamos de fazer com urgência é a questão da habitação pública. Estamos agora a discutir a PCU dos primeiros oito lotes mas já emitimos plantas para 11. Num curto espaço de tempo vamos divulgar mais informações”, assegurou a DSSOPT.
A futura circulação de veículos na Zona A também já foi alvo de estudo. “Nas Portas do Cerco, quando fazem um cálculo de circulação, parece que os números não correspondem à realidade. Quando estes lotes começarem a ter pessoas e ainda houver infra-estruturas em construção, com tanto movimento, como vamos resolver os problemas de engarrafamento?”, questionou Mak Soi Kun. Além disso, “como vão articular a Zona A e as Portas do Cerco?”.
A DSSOPT garantiu, por isso, que já foi feita uma avaliação da circulação de veículos tendo como referência “as vias públicas mais movimentadas”.
Esclarecido o problema do trânsito, surge outro que a ele está sempre associado: a questão do estacionamento. “Estou preocupado com o desenvolvimento da Zona A. Não sei se as oito plantas têm condições para construção de auto-silos subterrâneos. E o Metro Ligeiro? Será à superfície ou subterrâneo?”, interrogou Lee Hay Ip.
Outro vogal também manifestou dúvidas em relação ao Metro Ligeiro. “O Metro Ligeiro vai passar pela zona habitacional, então, precisamos de pensar mais sobre o rumo e o trajecto. Como a Zona A é um terreno sem construções podemos fazer um planeamento melhor”, referiu.
No campo dos transportes, a DSSOPT disse não ter particulares exigências para os auto-silos. “Em relação ao Metro Ligeiro, o Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) está a fazer o planeamento”.
Por sua vez, Rui Leão mostrou-se preocupado com a ligação entre a Zona A e a Península. “Há quatro ligações, uma em túnel e três viadutos sobre água. A Zona A está bastante próxima do reservatório e da Areia Preta e fazia sentido ter ligações pedonais com o resto da cidade, porque assim é muito pouco sustentável”, advertiu o arquitecto.
O final da reunião ficou marcado por críticas que se prendem com a falta de informação, com Chan Tak Seng a instar o Executivo “a ser mais aberto e transparente”. “Isto não é um segredo, porque não temos estas informações? As pessoas vão-nos perguntar “não é membro do CPU? Porque não sabe essas informações?”, disse o vogal.
Projecto da Rua da Barca devolvido ao proprietário
O Conselho do Planeamento Urbanístico devolveu ao proprietário o processo do edifício no nº 1 da Rua da Barca entre críticas de vários vogais relativamente ao recuo do Instituto Cultural (IC) na classificação do imóvel. Chan Tak Seng foi o vogal mais contestatário apelidando a situação do imóvel de “anedota” para a comunidade. “O IC primeiro diz que classifica, depois não, quais são os critérios?”, questionou o vogal. A vice-presidente substituta do organismo, Leong Wai Man, respondeu às críticas indicando que, uma vez que o imóvel foi retirado da lista proposta para classificação, o IC não tem quaisquer considerações a fazer.



