A UM anunciou a criação de quatro novos institutos de investigação, que pretendem contribuir para a diversificação da economia do território. Dois deles – o de Tecnologias de Cidades Inteligentes e o de Inteligência Artificial e Ciências do Cérebro vão entrar em funcionamento a 1 de Agosto. Os outros dois serão criados no âmbito da Faculdade de Medicina, sendo que se vão dedicar às Ciências da Vida e à Medicina Clínica e Translacional. A rede da UM passará assim a contar com 11 institutos de investigação. O reitor, Song Yonghua, observou que estes passos lançam “uma base sólida para a integração indústria-academia entre Macau e Hengqin”

CATARINA PEREIRA

 

Além de reestruturar duas faculdades e lançar cinco novas na área da ciência e tecnologia já no próximo ano lectivo 2026/2027, Universidade de Macau (UM) vai reforçar o desenvolvimento de institutos de investigação, em linha com a necessidade de diversificar a economia do território. Em concreto, vai criar quatro novos institutos, que, a juntarem-se aos já existentes formarão uma rede de cerca de uma dezena.

Recorde-se que a UM vai operar sob um modelo de “campus duplo”, com as novas faculdades a funcionar tanto no campus principal como no novo campus em Hengqin.

“A UM está a estabelecer novos institutos de investigação que cumprem elevados padrões de exigência, de modo a permitir que investigadores de diferentes disciplinas colaborem e enfrentem grandes desafios, bem como para atrair talentos de alto nível de todo o mundo”, afirmou o reitor da instituição.

Para Song Yonghua, este passo permitirá à universidade “fornecer um apoio contínuo à inovação e ao desenvolvimento tecnológico em Macau, na Zona de Cooperação, na Grande Baía e em todo o país”.

Em concreto, a instituição, que este ano celebra o seu 45º aniversário, planeia formar um sistema colaborativo que interligue faculdades, institutos de investigação e laboratórios de referência estatal, “integrando um total de 11 institutos de investigação focados em tecnologia de ponta, inovação e transferência de conhecimento”. A iniciativa “visa acelerar a conversão da investigação laboratorial de alta tecnologia em aplicações industriais, apoiando, deste modo, a diversificação económica de Macau”.

Segundo revelou a UM, o Instituto de Tecnologias de Cidades Inteligentes e o Instituto de Inteligência Artificial e Ciências do Cérebro vão ser inaugurados e entrar em funcionamento a 1 de Agosto. Também nesse dia, recorde-se, entrarão em funcionamento as cinco novas faculdades: de Medicina, de Engenharia, de Ciências, de Tecnologias de Informação e de Design.

No desenvolvimento dos institutos de investigação serão seguidas duas abordagens fundamentais. “A primeira consiste em estabelecer um mecanismo que ligue os laboratórios e os institutos de investigação, tendo como núcleo os três laboratórios de referência estatal”, explicou a UM.

Assim, o Instituto de Tecnologias de Cidades Inteligentes, construído com base no Laboratório de Referência Estatal de Internet das Coisas para a Cidade Inteligente, vai focar-se em cinco áreas de investigação-chave: detecção inteligente e comunicação em rede, dados em grande escala (big data) urbanos e tecnologia inteligente, energia inteligente, transportes inteligentes, e segurança urbana e prevenção de catástrofes. “Todas com o objectivo de estabelecer Macau como um modelo de cidade inteligente”, pode ler-se na nota ontem publicada.

Quanto à segunda abordagem, passa por adoptar o conceito de desenvolvimento “IA+” e cultivar vários agregados (clusters) emergentes de investigação interdisciplinar “para melhor servir as prioridades de inovação regionais e nacionais”.

Neste caso, o Instituto de Inteligência Artificial e Ciências do Cérebro irá acolher quatro centros de investigação focados, respectivamente, em inteligência artificial geral, robótica, ciências cognitivas e do cérebro, e ciência de dados. “O instituto centrar-se-á na investigação interdisciplinar que envolve as ciências da inteligência e as neurociências, prestando apoio tecnológico aos cuidados de saúde, à governação social e às indústrias inteligentes”, aponta a UM.

Por outro lado, a par do estabelecimento da Faculdade de Medicina, a UM está a avançar com a criação de dois novos institutos de investigação – um focado em Ciências da Vida e o outro em Medicina Clínica e Translacional. O primeiro terá como foco a investigação mecanicista e original nas ciências médicas básicas e da vida, enquanto o segundo se vai concentrar na investigação clínica e na tradução dos resultados da investigação em aplicações práticas.

A UM conta já com sete institutos – de Ciências Médicas Chinesas, de Microelectrónica, e Física Aplicada e Engenharia de Materiais, de Inovação Colaborativa, de Estudos Avançados da UM em Hengqin, de Investigação Científica e Tecnológica da UM em Zhuhai e de Circuitos Integrados da UM em Hetao. Com os novos quatro, a rede vai então crescer para 11 institutos, os quais pretendem “impulsionar a investigação de fronteira e a transferência de tecnologia”.

“A expansão sistemática e a reafectação de recursos no âmbito da estrutura de institutos de investigação da UM reflectem a maturação do seu modelo de desenvolvimento de talentos de alto nível, e lançam uma base sólida para a integração indústria-academia entre Macau e Hengqin”, vincou Song Yonghua.

Os institutos de investigação vão centrar-se na obtenção de avanços tecnológicos, no desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade e no impulso à integração profunda da cadeia de inovação, da cadeia de talentos e da cadeia industrial, acrescentou.

Entretanto, refere a UM em comunicado, as plataformas de investigação transfronteiriças em Hengqin, Zhuhai e Shenzhen “irão alinhar-se precisamente com as necessidades das quatro indústrias emergentes, acelerando a comercialização dos resultados de investigação de Macau através de I&D (investigação e desenvolvimento), validação em contexto real e aplicação industrial”.

 

Faculdade de Medicina ministrará cursos em Hengqin a partir de 2028

A partir de Agosto deste ano, a Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau (UM) vai passar a designar-se Faculdade de Medicina, revelou ontem Deng Chuxia, director da faculdade. Citado pelo “Ou Mun Tin Toi”, o responsável previu ainda que a Faculdade de Medicina começará a ministrar cursos em Hengqin em 2028, sendo que estão em curso diversos preparativos, incluindo recrutamento de alunos, ajustamento de cursos e preparação de equipamentos. Segundo observou, desde a criação em 2013, a Faculdade de Ciências da Saúde evoluiu para uma equipa de investigação científica composta por cerca de 60 professores e mais de 1.300 alunos. Para assegurar que os docentes sejam capazes de assumir as tarefas pedagógicas no futuro, a faculdade procedeu, nos últimos anos, ao ajustamento estrutural de cursos, aumentando assim a correspondência com os programas de medicina, prosseguiu. Este ano, foram abertas em Hengqin duas turmas do curso de doutoramento em saúde pública, indicou, adiantado que, além de alguns cursos específicos, os outros continuarão a ser ministrados no campus principal da UM.