Bruxelas e Macau manifestaram a intenção de impulsionar a cooperação em “áreas prioritárias”, nomeadamente na luta contra o tráfico humano

 

Representantes da União Europeia (UE) e da RAEM reafirmaram o “compromisso em manter contactos estreitos através de canais já estabelecidos, continuando reforçar a cooperação nas áreas prioritárias de interesse comum”, frisou o Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças, após a realização da 16ª reunião da Comissão Mista da União Europeia-Macau após a transferência da soberania.

Um desses campos é o combate ao tráfico humano, depois de em Outubro do ano passado a UE ter considerado esta problemática como um dos principais desafios aos direitos humanos em Macau.

No entanto, na reunião, a delegação da UE, presidida pelo director-executivo para a Ásia-Pacífico do Serviço Europeu para a Acção Externa, Gunnar Wiegand, reconheceu os “esforços” do Governo de Macau no combate ao tráfico humano, tendo ambas as partes manifestado interesse em “reforçar a cooperação nesta matéria”.

Por outro lado, tanto Lionel Leong como Gunnar Wiegand foram unânimes em concordar com o desenvolvimento da cooperação no enquadramento do Ano do Turismo China-UE. “A RAEM irá envidar todos os esforços para valorizar as suas próprias vantagens no sentido de desempenhar um papel importante neste projecto”, garante o Gabinete de Lionel Leong.

Na área do turismo, as delegações analisaram vários aspectos, nomeadamente, formas de aumentar os fluxos de turistas, promover deslocações recíprocas de visitantes e desenvolver o efeito do Fórum de Economia de Turismo Global. Este evento regressa em Outubro deste ano tendo a UE como parceiro de cooperação oficial.

Segundo a mesma nota, Lionel Leong partilhou os planos para a Grande Baía e o papel que Macau desempenha, tendo o representante da UE mostrado interesse na “exploração conjunta de canais de cooperação para o desenvolvimento da Grande Baía com Macau”. A delegação da RAEM apresentou ainda os últimos desenvolvimentos na cooperação com os países de língua portuguesa.

No capítulo fiscal, trocaram-se ideias sobre o combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, bem como os trabalhos de supervisão sobre a situação do cumprimento das políticas no seguimento da declaração da RAEM relativa “às preocupações referentes às censuras realizadas pela UE sobre as políticas e medidas fiscais adoptadas pelas jurisdições em matéria fiscal de terceiros”.

Por outro lado, a delegação da UE constatou o empenho na “transformação de Macau num centro de medicina tradicional chinesa”. Nesse campo, foi transversal a vontade de fomentar intercâmbios de informação sobre o sistema de regulação de produtos tradicionais de ervas medicinais da UE.

Além disso, será dada continuidade ao programa de formação de intérpretes em Chinês e Português para conferências de modo a “responder às necessidades de intérpretes bilingues qualificados sentidas pela UE e pela RAEM”.

 

C.A.