“Robot comunicativo 1” fala Mandarim, Cantonense e Inglês
“Robot comunicativo 1” fala Mandarim, Cantonense e Inglês

No âmbito da estratégia de desenvolvimento de Macau enquanto cidade inteligente, a Direcção dos Serviços de Turismo está a desenvolver projectos para optimizar a experiência dos visitantes. Parte deles arranca sem formato em Português

 

Salomé Fernandes

 

Desloca-se e comunica com pessoas, mas teve de aprender a falar. O “robot comunicativo 1” ainda não tem nome em Português, mas também não fala a língua, apenas Mandarim, Cantonense e Inglês. É um dos projectos que a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) planeia lançar no próximo ano a nível do turismo inteligente. No geral, foram investidos nesse âmbito 19 milhões de patacas. “Se vamos investir mais no futuro dependerá das necessidades. O turismo inteligente deve evoluir com as tecnologias, pelo que depende das tecnologias”, disse Helena de Senna Fernandes, directora do organismo.

É uma das 12 unidades que serão alocadas numa fase inicial a centros de informação turísticos. Caso o desempenho em fase de experimentação mostre que se adequa a outros contextos, a DST pondera alocar os robôs a convenções para prestarem serviços de atendimento. Certo é que ficarão em espaços fechados.

Entre as questões técnicas a serem solucionadas encontra-se a regulação de voz. A empresa local que coopera com a DST criou inicialmente os robots para um espaço familiar, com vista a acompanharem pessoas idosas. “Em Abril levámos o robot a uma feira para ver os problemas frente ao público. Temos receio que não consiga reagir a sotaques diferentes. São estes ajustes que temos de fazer, não é um ambiente tão protegido, familiar”, comentou Helena de Senna Fernandes.

A par dele, vai ser lançado no segundo trimestre de 2019 nas redes sociais um robot comunicativo (chatbot), combinando inteligência artificial e atendimento ao cliente, para responder às perguntas dos visitantes. Também este vai operar apenas em Cantonense, Mandarim e Inglês. “Se tivermos muito sucesso claro, que a aplicação será ainda mais vasta”, afirmou a directora.

Também no segundo trimestre do próximo ano será lançada a nova página electrónica de promoção do turismo, que vai destacar as informações do “Centro Mundial de Turismo e Lazer”, avançou Herbert Choi, chefe substituto do Departamento de Planeamento e Desenvolvimento da Organização da DST. O espaço foi desenvolvido com alto contraste para ajudar pessoas com deficiências visuais a lerem, e foi estruturada para apoiar portadores de deficiência auditiva a ouvir o conteúdo.

“Queremos utilizar tecnologias avançadas e inovadoras para permitir uma melhor experiência dos turistas e melhorar o funcionamento do sector, monitorizando as situações em tempo real da indústria e o aproveitamento dos recursos turísticos”, frisou Helena de Senna Fernandes. Com base nos dados, será também possível dividir o fluxo e dispersar os visitantes nos diferentes pontos turísticos.

A página oficial da DST vai incluir informações de uma aplicação do fluxo de visitantes inteligentes, que fará uso de dados do turismo bem como de monitorização em pontos relevantes da cidade para mostrar o movimento de pessoas nos diferentes pontos turísticos em quatro horas, 24 horas e sete dias, diferenciado por cinco níveis para facilitar aos utilizadores ajustes aos seus planos de viagem.

Para além disso, vai reunir informações sobre actividades culturais, transporte público em tempo real e percursos gastronómicos, com rotas turísticas personalizadas para visitantes com interesses diferentes para facilitar o planeamento das viagens.

De notar que futuramente serão instalados equipamentos da “internet das coisas” em instalações turísticas, coleccionando dados estatísticos do fluxo de pessoas. Note-se que isto consiste numa rede de equipamentos e objectos com conectividade que lhes permite interagir e trocar dados. No entanto, ainda não foram determinados quais os locais onde realizar a instalação do equipamento de “hardware”.