A Secretária de Estado do Turismo de Portugal regressou ao território para participar no Fórum de Economia de Turismo Global e mostrou vontade de promover Portugal como local de estudo para alunos de Macau. Ana Mendes Godinho pretende também aproveitar as oportunidades geradas pela iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”
Salomé Fernandes
De visita ao território para participar no Fórum de Economia de Turismo Global e para se reunir com o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, para fazer uma análise do ponto de situação dos processos em curso, Ana Mendes Godinho considera que Macau é um “exemplo perfeito” da capacidade de trabalho entre um país europeu e a China.
“O turismo é a nova Seda. E a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, é uma rota que o turismo cada vez mais tem de aproveitar, porque é também um instrumento de construção e mobilização de pontes. Macau tem de se orgulhar porque é o exemplo de uma plataforma que liga o passado ao presente e ao futuro, e que liga continentes”, descreveu a Secretária de Estado do Turismo em Portugal, à margem do Fórum de Economia de Turismo Global.
Do mesmo modo que Macau se assume como plataforma de entrada na China, Portugal ambiciona ser uma plataforma de entrada na Europa. Para isso, o país quer atrair pessoas para várias dimensões: visitar, investir, estudar e trabalhar. Uma alteração recente à lei relativa à entrada e permanência de estrangeiros facilitou a emissão de vistos para estudantes, contribuindo para a estratégia de captação de estudantes estrangeiros para Portugal.
Nesse âmbito, o Turismo de Portugal realizou uma parceria com o Instituto de Formação Turística (IFT) no sentido de levar alunos de Macau a fazerem estágios em escolas de turismo e hotéis em Portugal. “Encetámos este acordo quando estive cá em Dezembro, e já tivemos 20 alunos este ano em Portugal. A ambição é multiplicarmos isto por dez em 2019, e ser de facto um programa estruturante também aqui, que aproxima cada vez mais Portugal e Macau”, revelou Ana Mendes Godinho.
Já ao nível do investimento, o Governo português lançou um programa de transformação de 33 monumentos nacionais em hotéis, tendo a Secretária de Estado adiantado que diversos investidores de Macau já se deslocaram a Portugal para conhecer os imóveis. A confiança dos investidores deve-se a diversos factores, considera a mesma responsável, ao destacar a segurança de Portugal, a situação política económica estável e um crescimento turístico “só comparável aos países asiáticos”, depois de em 2017 ter crescido 19,5% em receita turística.
A comunidade chinesa está aqui representada. Nos últimos dois anos a procura do mercado chinês para Portugal duplicou, esperando Ana Mendes Godinho que este ano cheguem aos 300 mil hóspedes de hotelaria. “No ano passado as receitas turísticas do mercado chinês cresceram 80%, o que é muito significativo e mostra ser um público que quando vai a Portugal gasta bastante. A par do mercado norte-americano são dos turistas que mais gastam em Portugal”, apontou.
As perspectivas continuam num crescente, esperando-se que este ano haja uma subida de 20% em relação ao mercado chinês, e “tudo indica que vamos continuar a aprofundar esta descoberta do mercado chinês”, disse a representante de Portugal. O país, acredita, tem capacidade, sendo a única questão a diversificação.
O interior também conta
A estratégia de Portugal para os próximos 10 anos identificou enquanto prioridades crescer cada vez mais em valor, e num ritmo mais acelerado em termos de receitas do que em número de turistas. Por outro lado, sem condições ou vontade de ser um destino massificado, a opção é a diferenciação através de produtos que mostrem autenticidade.
“Estamos a apostar muito numa diversificação de grupos, nomeadamente do enoturismo, a que o mercado chinês reage bastante bem”, explicou a Secretária de Estado. Outra aposta é na divulgação dos “portuguese trails”, um mapeamento de todos os caminhos que se podem fazer em Portugal a pé, cavalo ou outros meios, de forma a dar uma visão do país associada também à natureza.
Além disso, importa “desconcentrar a procura, alargar a procura a todo o território, e alargar ao longo do ano”, expandindo o turismo além das zonas mais tradicionais como Lisboa, Porto, Algarve ou Madeira. Foi também com este critério em mente que se criou um programa de turismo e cinema com um fundo associado para captação de eventos e produções internacionais.
“Também vimos à procura de captar produtores aqui na China que estejam interessados em filmar em Portugal”, indicou Ana Mendes Godinho. O objectivo passa por levar os operadores a mais locais do território. “Cada vez mais sentimos que Portugal está a ser descoberto ao longo do seu território e essa é a grande missão: abrir o mapa de Portugal para que o turismo seja um motor de desenvolvimento regional e de coesão”, frisou.
Um dos instrumentos utilizados para verificar se a estratégia está a surtir efeito é o número de notícias internacionais sobre Portugal, que se situava nas 15.000 em 2015, subindo para 33.000 dois anos depois.
Quebrar barreiras
A língua é uma das principais barreiras de entrada no mercado chinês, estando ser ultrapassada através da presença em redes sociais chinesas como o “Wechat” e o “Weibo”, além de a promoção “Visit Portugal” ter sido traduzida para mandarim.
Por outro lado, a distância geográfica está a ser contornada. A Secretária de Estado assegurou que têm sido encontradas alternativas durante as semanas de suspensão do voo directo entre Pequim e Lisboa. Além disso, está previsto nos planos de desenvolvimento da Qatar criar um voo Lisboa-Doha-Hong Kong, que faça a complementaridade para esta zona do mundo.
Ana Mendes Godinho reconheceu ainda o papel das comunidades portuguesas no mundo como disseminadoras de Portugal no mundo. Terá sido por esse mesmo motivo que são organizados encontros destas comunidades em Portugal, para que quem está fora redescubra o país. Que além de serem “dos melhores embaixadores”, se têm também tornado investidores.
Comunidades portuguesas e luso-descentes têm olhado para “Portugal como um local privilegiado para investir e são eles, através das suas redes, que nos trazem dos principais investidores que Portugal tem”, disse a Secretária de Estado.



