No cômputo geral do primeiro semestre, foram instaurados 6.628 casos criminais, menos 71 do que um ano antes, revelou ontem Chan Tsz King. Contudo os crimes relacionados com o jogo ascenderam 12%, para 1.278, de acordo com o Secretário para a Segurança. As burlas que ocorreram nos recintos dos casinos dispararam 58%, para 366, sendo que a maioria dos casos estava relacionada com trocas ilegais de dinheiro, que mais do que duplicaram. Os “crimes contra a pessoa” e as “ofensas contra a integridade física” também subiram. Houve mais 29% de violações, enquanto os casos de não-cedência de passagem a peões também aumentaram 35%
PEDRO MILHEIRÃO
O número de casos de burlas que ocorreram em casinos subiu 58,4%, no primeiro semestre, em termos homólogos, fixando-se em 366, apesar dos casos de burla terem caído, de uma forma geral, para 1.006. Das burlas que aconteceram nos recintos dos casinos, 240 eram relativas a trocas ilegais de dinheiro, o que corresponde a um aumento de 121%. No cômputo geral, os casos de crime relacionados com o jogo cresceram 12,2%, para um total de 1.278. As ofensas à integridade física e os furtos no mesmo contexto agravaram-se em 36,1% e 11,5%, respectivamente, ascendendo a 49 e 97 casos.
Nos primeiros seis meses do ano, a polícia instaurou 6.628 casos criminais, menos 71 (-1,1%) do que os anotados na primeira metade de 2025. Numa conferência de imprensa para o balanço da criminalidade, o Secretário para a Segurança salientou que a “situação geral de segurança de Macau mantém-se estável e controlada a longo prazo”.
Ainda assim, registaram-se mais 93 “crimes contra a pessoa”, que ascenderam 1.309 (+7,6%), revelou ontem Chan Tsz King. Já as “ofensas contra a integridade física” aumentaram 8,9%, fixando-se em 647. “Estes casos ocorreram principalmente nos pontos turísticos, casinos, hotéis e áreas próximas. Na maioria, os ferimentos foram ligeiros”, observou.
Chan acredita “que esta situação está relacionada com o aumento do número de visitantes e com a ocorrência de aglomerações e conflitos físicos ligeiros nas zonas de grande afluência”. Em resposta a esta tendência, o Secretário garantiu que “a polícia já intensificou os patrulhamentos e as fiscalizações nessas zonas, reforçando o mecanismo de cooperação com as empresas de lazer”.
Casos de violações subiram 29%
Entre Janeiro e Junho, registaram-se 22 casos de violação, segundo o governante, o que representa uma subida de 29,4%, face ao mesmo período do ano passado. “Mais de 70% das vítimas não são residentes”, acrescentou Chan, sendo que o local de ocorrência “foi principalmente dentro dos quartos de hotel”. Além disso, as autoridades não excluem “a possibilidade de alguns casos terem ocorrido num contexto de transacção sexual”.
“Para diminuir a ocorrência deste crime, a polícia continua (…) a fortalecer as acções de sensibilização sobre a prevenção criminal e a segurança pessoal”, assegurou. “Além disso, continuamos a reforçar os dispositivos policiais e os patrulhamentos nas imediações dos hotéis e casinos para combater o crime de exploração, de prostituição e actividades ilícitas relacionadas”.
“Este ano, nos primeiros seis meses, a polícia desenvolveu 134 acções de combate, interceptou 150 indivíduos suspeitos de prostituição, envolvendo 20 suspeitos”, segundo Chan. “Nestes casos não foram registadas situações em que indivíduos foram forçados a exercer tais actividades”, salientou ainda.
O Secretário lembrou que, no início do último mês, “a polícia desmantelou um caso de exploração organizada de prostituição, no qual estiveram envolvidos vários agentes policiais”. Neste contexto, prometeu que as autoridades estão comprometidas em desmantelar os grupos criminosos e que continuarão “a investigar a fundo (…) todos os elementos corruptos envolvidos”.
“Na ocorrência de um crime, seja com um agente, funcionário de base ou de alto nível, vamos executar a lei sem margem de tolerância”, reiterou. “Com a minha experiência de trabalho na segurança, acredito que todos os agentes da polícia estão sempre a envidar todos os esforços para garantir a segurança de Macau”, reforçou. “É imperativo salientar que os agentes que violam a lei e a disciplina são casos isolados, e que não podem eclipsar os esforços árduos e contínuos de todo o pessoal das forças de segurança”, asseverou.
As forças de segurança “tomaram este caso com exemplo, tendo revisto os mecanismos de funcionamento interno com vista a reforçar a integridade da equipa e a criar um ambiente policial integro e limpo”, rematou, dizendo ainda que não podia avançar mais informações sobre o caso uma vez que o processo judicial se encontra em curso.
No período em análise, os casos de abuso sexual de crianças diminuíram 10,5% para 17. Envolveram “principalmente assédios sexuais ligeiros, actos sexuais voluntários e outros actos íntimos entre pessoas da mesma idade”, esclareceu Chan. Porém, a delinquência juvenil piorou, tendo em conta que o número de casos subiu 7,4% para 87.
Não-cedências a peões aumentaram 35%
O número de infracções por “não cedência de passagem por veículos” cresceu 35,2%, no período em análise, situando-se em 1.072 ocorrências registadas pelas autoridades. Ao mesmo tempo, o “desrespeito à luz vermelha” disparou para 4.401.
Questionado sobre o atropelamento do menino de 10 anos, que ocorreu no final de Maio, Chan Tsz King disse apenas que a Polícia Judiciária (PJ) e outras entidades responsáveis reforçaram os trabalhos de sensibilização junto dos condutores, para que “obedeçam às regras de condução”, prometendo ainda mais medidas para o futuro.
Mais uma vez, o Secretário referiu que o processo judicial se encontrava em curso, assim como a investigação, pelo que considerou não ser “muito adequado comentar para evitar influenciar o caso”. Prometeu, contudo, que, oportunamente, serão divulgadas mais informações à população.
À semelhança do Secretário, após ser indagado pelos jornalistas acerca da recente agressão a um agente da polícia que actuava à paisana durante uma investigação, o director da PJ também preferiu não elaborar. Sit Chong Meng afirmou apenas que os suspeitos que agrediram o agente “estão a fazer algo contra a sociedade”. “Não vamos deixá-los e não temos nenhuma tolerância para estes tipos de actos”, garantiu.
“Tendo em conta a evolução social de Macau, temos muitos mais turistas e com a maior frequência da realização de eventos em Macau, a nossa pressão é cada vez maior”, partilhou Chan Tsz King. “Mas, mesmo assim, continuamos a trabalhar com empenho no sentido de garantir a segurança e a ordem pública”, vincou.
O titular da pasta da Segurança também anunciou que as conferências sobre os dados da criminalidade deixarão de ser trimestrais e passarão a ser semestrais, uma vez que as variações trimestrais “não são estatisticamente relevantes”.
Recorde-se que em Abril, na sequência de este jornal ter questionado o Gabinete de Chan Tsz King sobre o atraso na divulgação das estatísticas relativas a 2025, as autoridades informaram que a divulgação dos dados passaria a ser feita por meios electrónicos, com as conferências a serem realizadas “sempre que necessário, presencialmente”. Ontem, o Secretário frisou que os meios de comunicação são “uma ponte importante” entre a área da Segurança e a população.
Secretário diz que direitos de Au Kam San estão salvaguardados pela lei
Respondendo a uma pergunta alusiva ao caso de Au Kam San, sobre se a lei permite que o familiar de um arguido possa ou não saber quem é o defensor oficioso quando o acusado se encontra isolado, o Secretário para a Segurança afirmou que as regras já estão estipuladas no Código Penal e que, dentro da lei, os direitos estão salvaguardados. Na semana passada, o Juízo de Instrução Criminal do Tribunal Judicial de Base (TJB) concluiu a apreciação do requerimento de abertura de instrução apresentado por Au Kam San, tendo confirmado e mantido a acusação do Ministério Público. A decisão instrutória pronunciou o antigo deputado pela prática, em autoria material e na forma consumada, dos crimes de “subversão contra o poder político do Estado”, de “estabelecimento de ligações com organizações, associações ou indivíduos de fora da RAEM para a prática de actos contra a segurança do Estado” e de “violação de segredo”. Na altura, o TJB também garantiu que os direitos processuais do arguido foram assegurados, ao abrigo da lei.



