Face à tendência de crescimento do número de visitantes de Macau, a directora dos Serviços de Turismo reconheceu a necessidade de melhorias ao nível das infra-estruturas, nomeadamente nos transportes. Por outro lado, Helena de Senna Fernandes colocou reservas a uma eventual limitação do número de turistas
Salomé Fernandes
A polícia já confirmou à Direcção dos Serviços de Turismo (DST) que o número total de visitantes do ano passado ultrapassou os 35 milhões. Questionada sobre a capacidade da RAEM receber tantos visitantes, cuja tendência é de crescimento, a directora da DST reconheceu que “da parte de infra-estrutura temos realmente necessidade de fazer ‘upgrade’, sobretudo na área do transporte que muita gente já tem dito que tem de ser melhorado”.
Ao nível dos transportes, pede-se essa melhoria através de novas infra-estruturas, como o Metro Ligeiro, mas também do serviço dos táxis, exemplificou Helena de Senna Fernandes. No entanto, quando questionada sobre serviços como a “Uber” ou “Grab”, a dirigente da DST indicou que “conforme a nossa legislação, a Uber é ilegal, por isso temos de estudar maneiras de introduzir novos transportes que sejam legais em Macau”.
“Julgo que o mundo tem diferentes maneiras [de solucionar o problema] e diferentes infra-estruturas e temos de estudar o que é melhor para Macau. O meu colega em termos de transportes vai estudar melhor esta possibilidade”, acrescentou.
Foi também com cautela que respondeu à possibilidade de se criar um limite para o número de turistas, apontando para a dificuldade em estabelecer um critério para definir quem poderia ou não entrar no território. “A livre entrada de pessoas é também uma maneira de medir a abertura da cidade. Teria outros tipos de influência sobre a imagem de Macau. Acho que este tipo de medida tem de ser estudado com muito cuidado”, sublinhou.
Por outro lado, Helena de Senna Fernandes mostrou-se atenta à aplicação de taxas a turistas em países como o Japão “para ajudar a melhorar a cidade, ou ter uma fonte de receita para fazer infra-estruturas ou outros tipos de obras”. No entanto, a aplicação de um imposto semelhante em Macau “tem de ser estudado em profundidade” e comparado com os sistemas de diferentes países e regiões.
Num tópico diferente, a DST continua a “lutar por uma localização melhor” para o Museu do Vinho. Mas, a directora garantiu que “se não tivermos a oportunidade de outro local, claro que temos de avançar” em Coloane. Apesar disso, não apontou um período para apresentar uma decisão.
Hotelaria e pensões ilegais
Quanto ao facto do hotel “13” operar apenas para convidados, Helena de Senna Fernandes garantiu estar a funcionar legalmente. “Mas, também recebemos algumas queixas quanto a este tipo de funcionamento por causa disso, e estamos em contacto com o ‘13’ e a ver quando vão agendar a sua operação oficial ao público”, afirmou. Apesar de ainda não se conhecer a data, a DST vai reunir com a empresa ainda este mês, altura em que se espera haver mais informações sobre a abertura oficial ao público.
As directora forneceu ainda informações sobre as pensões ilegais. De acordo com a “Ou Mun Tin Toi”, questionada sobre apenas cerca de 200 dos mais de 1.000 casos de pensões ilegais, terem pago as multas, afirmou que não está em causa a falta de provas, mas antes o facto da maioria dos operadores deste alojamento ser do Continente, escapando por isso ao pagamento caso escolham não regressar a Macau.
O que está em causa no combate a esta prática, disse Helena de Senna Fernandes, é como tornar as penalizações mais dissuasoras. Neste ponto, citou o Secretário Alexis Tam para indicar que a criminalização pode aumentar o poder de dissuasão. Ainda assim, considera que, independentemente de poder ser uma punição administrativa ou criminal, são necessárias provas, sejam recolhidas ‘in loco’ ou os assinantes dos contratos dos arrendamentos, podendo-se determinar se há um operador dessa pensão ilegal a partir dessas informações.



